Brasil: Associação da indústria de alimentos processa Carrefour por exigir informações sigilosas de produtos em troca de comercialização; inclui comentários
“Carrefour exigiu informações sigilosas de produtos em troca de comercialização nas lojas da rede, mostra documento”, 03 de junho de 2022
Um e-mail anexado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) a um processo que tramita na Justiça Federal mostra que em setembro do ano passado o Carrefour passou a exigir que fornecedores de alimentos processados entregassem à varejista informações sigilosas sobre seus produtos.
…Segundo o documento, o fornecimento dessas informações seria obrigatório a partir de 1º de setembro de 2021 e condição para “conclusão do cadastro” no Portal de Fornecedores do Carrefour.
Em nota enviada ao Joio, o Carrefour negou que tenha condicionado o fornecimento de informações à comercialização dos produtos na rede: “A empresa não condicionou o cadastro dos produtos ao envio das informações à venda dos mesmos na rede.” Procurada para comentar a denúncia, a Abia decidiu não se manifestar.
…Gomes escreve no e-mail que a iniciativa tem o intuito de melhorar a qualidade do cadastro do Carrefour e dar mais transparência de informações aos clientes da rede. “Peço atenção ao tema pois a partir da data em questão [1º de setembro] estas informações passam a ser indispensáveis para a conclusão do cadastro”, diz o texto. O objetivo da requisição era abastecer o aplicativo Nutri Escolha, do Carrefour, que dá notas de “A” a “E” para os produtos vendidos na rede e promete facilitar escolhas mais baratas e saudáveis. O aplicativo utiliza o método Nutri Score, criado na França e utilizado de maneira voluntária por fabricantes de alimentos naquele país.
Em julho do ano passado a Abia denunciou o app do Carrefour na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça – em uma disputa que gerou troca de acusações entre a associação e o Carrefour.
A alegação da Abia é de que o algoritmo fere o sistema de lupa adotado pela Anvisa, cria desequilíbrios concorrenciais e privilegia produtos de marca própria do Carrefour...Associação também questiona o uso dos dados pelo Carrefour, alegando que a rede não tem transparência em relação às informações recebidas, podendo utilizá-las para fins não declarados.
...Vinte e cinco dias após a denúncia protocolada pela Abia, a Senacon determinou a suspensão do Nutri Escolha, alegando que o aplicativo induz o consumidor em erro e dá notas altas para produtos ultraprocessados...
Foi então que o Carrefour moveu processo na Justiça Federal, alegando que havia tido o direito à ampla defesa cerceado pela Senacon...
Clique aqui para conferir a resposta completa do Carrefour.