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7 Dec 2021

Author:
Folha de São Paulo

BHRRC alerta que hotel escolhido pela CBF para se hospedar durante a Copa do Qatar está ligado a empresa acusada de manter trabalhadores em condições precárias

“ONG denuncia grupo de hotel favorito da CBF para hospedar seleção na Copa”, 03 de dezembro de 2021

O grupo hoteleiro do qual faz parte o hotel favorito da CBF...para hospedar a seleção brasileira durante a Copa do Mundo do Qatar...possui contrato com uma empresa de segurança acusada de violar direitos humanos e trabalhistas.

Trata-se da GSS Certis...A denúncia é feita pela ONG britânica Business & Human Rights Resource Centre e pelo ativista queniano Malcolm Bidali, que trabalhou para a GSS Certis.

..."A razão pela qual isso chamou nossa atenção é que o Westin Hotel foi especificamente citado em uma denuncia como uma das empresas que contrataram a GSS Certis para trabalhar na parte de segurança", diz à Folha Isobel Archer, da ONG.

A organização chegou a entrar em contato com a CBF para avisá-la sobre as denúncias e convidá-la para conversar a respeito do tema.

"A CBF fez a escolha do local de hospedagem e treinamento para a Copa do Mundo do Qatar 2022 dentre as opções aprovadas e recomendadas pela organização do evento", respondeu a entidade, em nota à reportagem.

Procurada, a GSS Certis não retornou os contatos da Folha.

O grupo Marriott, responsável pelo hotel, afirmou que, atualmente, não tem contrato com a companhia de segurança.

"A Marriott International é comprometida em manter um local de trabalho seguro, respeitoso e justo para todos", disse, em nota.

...Para Archer, o fato de o contrato não existir atualmente não diminui a responsabilidade da CBF, já que as violações de direitos humanos e trabalhistas no Qatar são "endêmicas".

"Deveria ter sido uma bandeira vermelha para o Brasil. Nós gostaríamos que eles ao menos tivessem reconhecido o problema, são denúncias documentadas contra uma propriedade específica. E ao menos garantir que os trabalhadores —que são quem vão cuidar da seleção no hotel, fazer suas camas, servir sua comida, fazer sua segurança—, estão sendo bem tratados", diz.

"É preciso ir além do fato de que simplesmente o contrato se encerrou e começar a questionar como está a situação agora, o que a empresa faz para garantir a segurança e conforto dos seus funcionários, porque pode estar acontecendo a mesma coisa com outros trabalhadores", completa.

Segundo a denúncia contra a GSS Certis, publicada em maio de 2020, a empresa mantinha 2.000 funcionários em condições precárias.

…Isobel Archer entende que a maioria das denúncias contra as condições de vida dos trabalhadores migrantes no Qatar foca no ramo das construções e o setor de hotéis ainda não tem tantos holofotes, apesar de sofrer com os mesmos problemas.

…O último relatório da Human Rights Resource Center sobre o setor hoteleiro...aponta que há uma cultura de medo entre os trabalhadores no país...

..."A Copa do Mundo no Qatar lançou um holofote sobre os problemas, então para nós é menos uma questão de fazer ou não um boicote ao Mundial, já que estamos a menos de um ano do torneio, ou de trocar de hotel, porque se o Brasil não ficar no Westin, outra seleção vai ficar", argumenta Archer.

Ela defende que as seleções exijam provas de que os lugares onde elas ficarão cumpram as leis e façam campanhas para denunciar as violações.

…"A não ser que as reformas sejam de fato implementadas e mudem a estrutura [das relações de trabalho] no Qatar, há uma grande chance de que tudo volte a ser como antes, uma grande chance do mundo esquecer as questões do Qatar", diz...