Brasil: Fazenda Santa Eufrásia é acusada de racismo ao oferecer a visitantes a possibilidade de serem escravocratas por um dia mas nega acusações

Brasil escravidao Rio_credit_Jean-Baptiste Debret_https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=687284

A Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, Rio de Janeiro, produtora de café, está sendo acusada de promover racismo ao promover supostamente “atividades turísticas” em que visitante pode ser escravocrata por um dia, durante o passeio. Os visitantes são servidos por pessoas negras vestidas de escravos, os quais recebem ordens da proprietária da fazenda, vestida como sinhá. A fazenda nega as acusações.

A fazenda está sendo altamente criticada por diversos setores da sociedade incluindo Douglas Belchior, fundador e professor no Movimento Uneafro-Brasil, Djamila Ribeiro, pesquisadora na área de filosofia política e secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Marcelo Dias, presidente da Comissão de Igualdade Racial de OAB/RJ. Douglas afirma: “…Todo mundo é educado a negar a história e a permanência da escravidão. Não lemos sobre o que foi esse período. Essa educação atinge tanto os que foram privilegiados quanto os que foram vitimados pela escravidão. É por isso que essa senhora acha que o que ela promove não é racismo e terão negros que vão concordar com ela. Na verdade, todos nós somos alvo dessa cultura racista que nos incita a ignorar a escravidão e sua permanência no cotidiano".

Para ler esta história em inglês, clique aqui.

 

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Author: UOL/Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (Brazil)

“Comissão critica fazenda que faz funcionários atuarem como escravos”, 7 de dezembro de 2016

A Fazenda Santa Eufrásia...viralizou nas redes sociais ao oferecer em suas instalações...encenações do período da escravidão...Para Douglas Belchior, fundador e professor no Movimento Uneafro-Brasil, o que existe no país é uma cultura de negação do que significou a escravidão...[O]s resquícios da escravidão permanecem em nosso cotidiano quando observamos momentos drásticos, como a grande quantidade de jovens negros que morrem pela mão do Estado... Na opinião de Djamila Ribeiro, pesquisadora na área de filosofia política e secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidade de São Paulo..."Não existe a mesma postura com algo como Auschwitz, por exemplo...[P]ercebemos que não existe uma sensibilidade com a dor negra...É um absurdo também quem deseja se colocar nessa posição de escravocrata...[T]em que lembrar do período, mas de forma a reparar o que foi feito..."...Segundo Marcelo Dias, presidente da Comissão de Igualdade Racial de OAB/RJ,...o racismo é...crime inafiançável e a ONU...o classificou como...crime imprescritível contra a humanidade. "Ao reproduzir fatos lamentáveis do período escravocrata, ela se coloca contra o tratado internacional que o prevê como um crime contra humanidade...[I]remos fazer denúncias e mobilizar não só o...Ministério Público...mas também o poder judiciário para interromper essa prática criminosa..."...

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Author: Cecilia Olliveira, The Intercept (Brazil/US)

“Turistas podem ser escravocratas por um dia em fazenda ‘sem racismo’”, 6 de dezembro de 2016

[O]...Vale do Paraíba fluminense...[,]...região...enriquecida pela exploração de trabalho escravo nas fazendas cafeeiras,...conhecida...pela...brutalidade com...os escravizados...[,]...está no mapa da cultura do Rio de Janeiro* explorando...turismo que naturaliza o racismo e a escravidão. Se...desejar ser servido por uma pessoa negra vestida como escrava em pleno 2016, você pode visitar, por exemplo, na Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, única fazenda particular tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (Iphan-RJ) no Vale do Café, construída por volta...de 1830...[A]... propriedade teve diversos donos até ser adquirida pelo Coronel Horácio José de Lemos, cujos descendentes são até hoje proprietários da fazenda...Quando viajam para a Europa...turistas se compadecem da dor sofrida pelo povo judeu, escravizado e exterminado pelos nazistas...[R]aramente fazem algum paralelo com os horrores da escravidão dos africanos...Choram, passam mal, postam indignação nas redes sociais e depois são capazes de passar um fim de semana ouvindo um sarau numa fazenda como essa, sendo servidos por pessoas vestidas de escravas e ciceroneados por sinhás, para fazer uma “volta ao passado”, sem nenhum senso crítico sobre a questão...“Racismo?...Por que eu me visto de sinhá e tenho mucamas que se vestem de mucamas?..Não faço nada racista aqui!”“...[E]u tenho uma mucama, mas...fugiu...pro mato. Já mandei o capitão do mato atrás dela, mas...não voltou (…) Quando eu quero pegar um vestido, eu digo: ‘duas mucamas, por favor!’...” Parece 1880, mas a frase é dita por Elizabeth Dolson,...bisneta...do coronel Lemos e proprietária da Fazenda Santa Eufrásia, ao receber turistas em suas terras...As visitas ainda são guiadas por ela,...com roupas de época, acompanhada de mulheres negras vestidas como escravas...[A]...Diadorim Ideia, empresa de comunicação estratégica que idealizou o mapa da Cultura do Rio em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura...inform[ou]...que a Fazenda Santa Eufrásia foi retirada do Mapa...[e]...que...o “verbete [da Fazenda] está sendo associado a práticas das quais discordamos com veemência”.

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