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Brasil: Bolsonaro debocha das condições degradantes e análogas à escravidão na extração da carnaúba com longas jornadas, sem acesso à água, sem alojamento

Author: Ana Magalhães e Daniel Camargos, Repórter Brasil (Brazil), Published on: 12 August 2019

“Bolsonaro distorce fiscalização na carnaúba, setor campeão de trabalho escravo no Ceará”, 1º de agosto de 2019

O presidente Jair Bolsonaro defendeu...alteração das regras para a tipificação do trabalho escravo e, ao criticar a fiscalização, usou como exemplo uma inspeção no Ceará, em área de extração de carnaúba...[O]...presidente não mencionou...que a carnaúba...representa um dos setores que mais exploram a mão de obra análoga à escravidão...confirmados pela última ‘lista suja’ do trabalho escravo...[B]olsonaro tratou com deboche a ausência de banheiro nos carnaubais...Na fazenda de Santos Filho, não havia nem mesmo fossas secas. Tampouco refeitório ou chuveiro. Não havia alojamento: os trabalhadores dormiam dentro do baú de um caminhão velho e dividiam o espaço com a máquina de moagem da palha e com o pó resultante do processo. Santos Filho, de 80 anos,  conhecido pelo apelido político de Binu Monteiro, considera que foi injustiçado. “Não existe trabalho escravo. É apenas um serviço braçal”, argumentou o ex-prefeito de Itarema. “O governo devia se preocupar com outras coisas”, acredita o político. Eleitor de Bolsonaro, ele diz estar satisfeito com o governo do presidente e acredita que ele está trabalhando bem. “Principalmente o que ele fala sobre desmatamento. Eu gosto do jeito dele”, afirma...Segundo o MPT, uma multinacional alemã chegou a procurá-los cogitando suspender a compra por conta das violações trabalhistas, mas mudou de ideia quando soube do trabalho dos órgãos fiscalizadores...Outro empregador do Ceará que também foi flagrado explorando mão de obra análoga à de escravos, em uma área de extração da carnaúba, chegou a ameaçar de morte auditores-fiscais do trabalho em maio  deste ano. Vale lembrar que a violência contra os fiscais já deixou vítimas...Após entrar na ‘lista suja’, Miguel Murilo de Castro foi até a sede do Ministério do Público do Trabalho, em Fortaleza, e disse que “cortaria a garganta” dos auditores fiscais...[,]...chamou os servidores de “vagabundos e bandidos” e afirmou que eles estavam inviabilizando a comercialização do pó de carnaúba que produzia...“Estamos falando da falta de dignidade dos trabalhadores, são jornadas de 20 horas diárias, xixi e cocô no mato, barracos de lona e funcionários bebendo água de um córrego sujo usado pelos animais”, completa... Alexandre Lyra, que já chefiou a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo...

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