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História

Brasil: Entrevistas com mulheres lideranças da Vila Autódromo, comunidade atingida pela construção do Parque Olímpico

Foto da comunidade quase totalmente destruída em razão da construção do Parque Olímpico ao lado da vila, crédito Júlia Neiva

O Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a comunidade, lideranças e moradores de Vila Autódromo, no Rio de Janeiro, ao lado da construção do Parque Olímpico, que sediará os Jogos Olímpicos Rio 2016. A visita foi realizada no dia 27 de janeiro de 2016, acompanhada da Justiça Global. Na ocasião, presenciamos um protesto de moradores, com apoio de pessoas que lutam em favor da comunidade. O protesto era contra o fato de que moradores cujas casas estavam dentro da construção do Parque Olímpico estavam sendo impedidos pelas autoridades locais de entrar e sair livremente de suas casas.

Tivemos a oportunidade também de ouvir o relato de três grandes lideranças mulheres (o que não é uma surpresa) contando sobre as violações de direitos humanos que têm constantemente sofrido em decorrência das obras para sediar os jogos. Violações ao direito à moradia digna, direito à informação, direito à participação nos processos de decisão sobre sua comunidade, direito de ir e vir, liberdade de religião, e relatos frequentes de violência perpetrada pelas forças de segurança foram mencionados.

Como afirmamos em outra ocasião, os moradores já haviam denunciado que a prefeitura do Rio teria negociado com empresas privadas a construção de prédios para classe média no bairro onde vivem, causando a remoção de ao menos mil famílias pobres. Segundo os moradores, nas obras de renovação, a prefeitura e empresas privadas têm excluído os pobres do que chamam de “progresso”.

Os moradores que saíram da comunidade receberam indenização, mas o que a comunidade alega é que gostariam de continuar vivendo ali onde sempre viveram, de terem sido informados e consultados sobre o que ocorreria com sua comunidade e de poder decidir sobre o que ocorreria. Realizaram um plano popular de urbanização da Vila Autódromo, feito em conjunto com universidades federais, e que não foi considerado pela prefeitura do Rio.

“…As pessoas que estão…[aqui]…são as que querem permanecer, e o prefeito diz que essas pessoas que querem ficar, vão ficar…Ele precisa parar de cometer essas ações ilegais aqui dentro, parar com essas pressões absurdas de deixar a gente sem água…O que ele tem que fazer agora é urbanizar, dar condições dignas de moradia para essas pessoas que querem ficar, apresentar o projeto que ele tem para aquela área...Existe um projeto, mas é guardado a sete chaves, só quem conhece esses projetos são os empresários, ligados ao governo. Os moradores mesmo, que moram no local, que deveriam ser os primeiros a conhecerem, esses não conhecem…”, Sandra Maria, liderança e moradora da Vila Autódromo

A comunidade tem recebido apoio de organizações de direitos humanos, ativistas, acadêmicos, e outros, no Brasil e internacionalmente. Maria da Penha, uma de suas principais lideranças, foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Mas, infelizmente, no mesmo dia da homenagem, no dia internacional das mulheres, 8 de março de 2016, sua casa foi demolida.

Apesar das lutas, protestos e tantos apoios, ainda assim a comunidade não conseguiu impedir que quase toda a vila fosse destruída. Estão colhendo assinaturas para apoiá-los na solicitação de reunião com o prefeito para discutir a proposta de reurbanização da comunidade, veja aqui.

Veja abaixo as entrevistas com Sandra Maria, Heloisa Helena/Luizinha de Nanã e Maria da Penha, importantes defensoras dos direitos de sua comunidade.

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