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Artigo

Brasil: Garimpo ameaça terra indígena em fronteira intocada da Amazônia

“Com alta do ouro, garimpeiros ameaçam área indígena em fronteira intocada da Amazônia. Atividade ilegal foi fotografada em região do extremo norte do Pará, quase no Suriname. Metal subiu 25% no último ano”, 08 de outubro de 2020

Um território isolado no extremo norte do Brasil, onde há uma base do Exército e só é possível chegar de avião fretado. Mesmo ali, na terra indígena Tumucumaque, no Pará, o garimpo já é uma ameaça. A área de mineração ilegal, que explora ouro, foi descoberta há algumas semanas no Suriname e está levando pânico a uma comunidade acostumada a acompanhar à distância o avanço dos crimes ambientais em outras partes do Brasil.

“...Estão fazendo garimpo, e a gente acredita que é ilegal, porque o rio está sujo e o pessoal está armado, estão se escondendo e agora eles têm trazido quadriciclos e motosserras”,...disse Mitore Cristiana Tiriyó Kaxuyana. Ela mora na missão Tiriyó, maior aldeia da terra indígena, com 3 milhões de hectares ocupados por cerca de 1.700 pessoas das etnias tiriyó, katxuyana e txikyana.

... Das 34 aldeias, instaladas às margens dos rios Paru de Oeste e Marapi, 23 estão em um raio de até 40 km da mina. Para piorar, os garimpeiros estão invadindo o território brasileiro com frequência para caçar, de acordo com os indígenas.

O relato consta em uma carta do Conselho de Caciques e Lideranças Indígenas Tiriyó, Kaxuyana e Txikuyana, com data de 1° de outubro. No documento, foram anexadas imagens aéreas registradas por indígenas do Suriname no dia 30 de setembro. As fotos mostram o acampamento dos garimpeiros ao lado de uma pista de pouso. Também é possível ver o leito do rio que está sendo explorado, manchado com uma cor escura...

...para Rodrigo Cambará, servidor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio, com experiência no combate a garimpos na Amazônia, não resta dúvida de que alguém está extraindo minério no local. “Essa cor de água do rio é típica de garimpo aluvial, aquele em que o ouro está misturado na área, na areia da beira do rio”... Para Mitore Kaxuyana, o maior receio é a contaminação da água das aldeias pelo mercúrio...

A menos de 2 km em linha reta da Missão Tiriyó...está uma base da Força Aérea Brasileira (com uma pista de pouso)..

Para Angela Kaxuyana, da Coordenação das Organizações dos Indígenas da Amazônia Brasileira, o Exército está demorando a agir. “O que mais deixa a gente perplexo é que é um território de uma área de fronteira, onde há a presença de um pelotão do Exército, o que deveria ser minimamente um fator intimidatório para os ilícitos na região. Mas pelo jeito não é”...