Resultados das eleições são contestados por oposição e ativistas; diplomatas & observadores internacionais alegam que eleições foram justas

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Após 38 anos no poder, Presidente José Eduardo dos Santos, do Movimento Popular de Libertação de Angola-MPLA, não concorreu às eleições gerais de 23 de agosto. Mas tudo indica que João Lourenço, indicado e apoiado pelo presidente, será seu sucessor. Essas foram as quartas eleições desde a independência em 1975 e as primeiras em que o presidente José Eduardo dos Santos não é candidato.

As eleições foram consideradas "livres, justas e credíveis" por diplomatas e observadores internacionais mas a oposição discorda. Ativistas comentam e muitos contestam também os resultados.

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Artigo
30 August 2017

Angola: Activistas anteveem crise pós-eleitoral no país

Autor: Manuel José, Voa Português

"Activistas anteveem crise pós-eleitoral em Angola-General Paka e activista Nuno Álvaro Dala falam em tensão-Dois activistas cívicos anteveem cenários de tensão pós-eleitoral em Angola", 29 de agosto 2017

Nuno Álvaro Dala, do grupo dos 17 activistas condenados e amnistiados em 2016, diz que neste momento há uma crise que pode evoluir enquanto Manuel Paulo Mendes de Carvalho Pacavira, General Paka, teme que o cenário de 27 de Maio de 1977 seja reavivado no país...[Ele]...se considera membro do MPLA e activista cívico, afirma que o receio dele "não é a UNITA que neste altura não tem qualquer capacidade bélica para renascer a guerra, mas o MPLA"que, segundo ele "tem um bando de bandidos" capazes de criar cenários de conflitos para depois eliminarem políticos opositores como fizeram no 27 de Maio de 1977, quando mataram Nito Alves, Bakalov e outros líderes de então". Filho do falecido nacionalista do MPLA Mendes de Carvalho Wanhenga Xitu, Paka considera que da actual geração de governantes não se pode esperar nada de bom...[:]..."Esta geração de José Eduardo dos Santos é má, é responsável pelas matanças do 27 de Maio e por todo o mal-estar que se vive actualmente em Angola porque boa parte destes governantes não são angolanos, são portugueses que a coberto de terem nascido cá continuam a querer perpetuar os mesmos vícios que tinham quando Angola ainda era considerada província ultramarina de Portugal"...Nuno Álvaro Dala...fala de...clima de desconfiança, de reserva da parte dos militantes do MPLA que ao contrário do que houve em 2008 e 2012, "não festejam e não fazem nada...[E]stamos quase numa crise pós-eleitoral que vai evoluir para uma verdadeira crise cuja solução se desconhece"...Para ele o futuro é muito sombrio.

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30 August 2017

Angola: Anistia Internacional desafia novo gov. a virar a página sobre direitos humanos & diz que legado de José Eduardo dos Santos é sombrio e de perseguição

Autor: Alvaro Ludgero Andrade, Voa Português

"AI desafia novo Governo angolano a virar a página sobre direitos humanos-Organização diz que legado de José Eduardo dos Santos é sombrio e de perseguição", 29 de agosto de 2017

A Amnistia Internacional (AI)...desafia o futuro Governo de Angola a virar a página no domínio dos direitos humanos, deixando de lado "a política sombria e de perseguição aos defensores dos direitos humanos, jornalistas e críticos de José Eduardo dos Santos"....David Matsinhe...[da AI]...considera que Angola tem de mudar as leis e a prática para proteger a liberdade de imprensa e de expressão, caso contrário continuará na lista dos maiores violadores dos direitos humanos. Para Matsinhe, o futuro Governo, independentemente de quem for, tem de escrever um novo capítulo sobre os direitos humanos....[A]...AI não se pronuncia sobre as eleições por não ter enviado observadores a Angola...

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30 August 2017

Angola: Eleições são consideradas "livres, justas e credíveis” por diplomatas; oposição discorda

Autor: António Cascais, Agência Lusa (Angola/Portugal)/Deutsche Welle

"Angola: Eleições justas para uns, injustas para outros-Um grupo de diplomatas angolanos considerou as eleições gerais de 23 de agosto "livres, justas e credíveis" Mas a oposição faz uma avaliação muito diferente.", 28 de agosto de 2017

"As eleições gerais foram realizadas de acordo com as práticas internacionais e no respeito dos princípios democráticos e direitos políticos consagrados na Constituição da República de Angola e em consonância com a sua lei eleitoral", afirmou...[em 27 de agosto]...o ministro angolano das Relações Exteriores. Georges Chikoti coordenou um grupo de 149 diplomatas que observou as eleições e as descreveu como "livres, justas e credíveis". Segundo os diplomatas, o processo de encerramento das urnas e contagem dos votos foi "rigoroso", embora o apuramento dos resultados fosse lento em algumas assembleias...O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) estava na frente da contagem com 61,05% dos votos, de acordo com dados preliminares da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola, com quase 99% das mesas de voto escrutinadas. O cabeça-de-lista do partido, João Lourenço, foi eleito Presidente da República. A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) obteve apenas 26,72% dos votos e a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) ficou em terceiro lugar, com 9,49%...[O]s partidos da oposição não reconhecem estes resultados apresentados pela CNE, alegando que aquele órgão eleitoral incorreu numa "ilegalidade" por não respeitar procedimentos que garantem a transparência do processo, previstos na lei angolana. O presidente da UNITA salientou que o partido tem em sua posse as atas completas de todas as mesas de voto do país e está a proceder à própria contagem...CASA-CE não reconhece resultados...De acordo com a coligação, o escrutínio da CNE não decorreu sob supervisão técnica dos comissários eleitorais encarregues para o efeito...[CASA-CE]...está a fazer a sua própria contagem...As contestações por parte dos partidos da oposição contrastam com os pareceres, no geral favoráveis, dos observadores internacionais...

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30 August 2017

Angola: Jornalista Rafael Marques alega que as eleições foram “roubadas”

Autor: Rafael Marques de Morais, Maka Angola (Angola)

"Eleições Roubadas-João Lourenço quer e vai governar com eleições roubadas. Mas até quando?", 26 de agosto de 2017
João Lourenço quer e vai governar como subordinado de José Eduardo dos Santos. Enquanto presidente do MPLA, é JES quem designa o governo, quem aprova o programa de governo, quem determina a agenda legislativa. Enquanto vice-presidente do MPLA, João Lourenço obedece. Mas até quando teremos um presidente nestas condições? João Lourenço quer e vai governar sob a influência do infame general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior "Kopelipa", o comandante da campanha eleitoral do MPLA, o "arquitecto" das empresas INDRA, SINFIC e LTI, que prestaram os serviços de organização das eleições. Foi o trabalho e a truculência do Kopelipa que "ofereceu" as eleições ao MPLA e a João Lourenço...José Eduardo dos Santos foi um mestre a manipular a opinião pública, conseguindo fazer-se de vítima mesmo quando espalhava o terror...[F]oi um ditador com uma obsessão legalista...João Lourenço estreia-se de forma brutal, roubando as eleições – mas sem quaisquer veleidades legais. O MPLA já ganhou com 82% (2008) e a UNITA viu fumo. O MPLA já ganhou com 72% (2012) e a UNITA viu fumo...João Lourenço não tem nenhuma máscara legal, não dispõe de trunfos, não tem conversa nem mestria. Herda...poder já disfuncional, mas no pico do saque e do abandono das suas funções sociais ao nível da saúde e da educação...João Lourenço não engana, não manieta, não corrompe nem intimida a oposição, como Dos Santos tem sabido fazer...João Lourenço rouba as eleições ao povo sem saber sequer como aldrabar...[E]...tem duas hipóteses:...mostra, de forma radical, que é pelo povo e pelo diálogo..., revendo os resultados que o MPLA e a sua CNE anunciaram sem apurarem os votos, ou então, como parece vir a acontecer, mantém a cara podre de roubo e acarta com as consequências da falta de legitimidade aos olhos do povo...

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29 August 2017

Angola: Jornalista ativista Rafael Marques afirma que as eleições foram roubadas & defende demissão de Isabel dos Santos da Sonangol para início de “mudança”

Autor: Tainã Mansani, Deutsche Welle (Germany)

Rafael Marques: "Reformas em Angola começam com a demissão de Isabel dos Santos da Sonangol-Jornalista angolano diz que eleições em Angola em 2017 foram "roubadas". E defende a demissão de Isabel dos Santos da presidência da Sonangol para início de "mudança" em Angola", 28 de agosto de 2017

O jornalista e activista angolano Rafael Marques acredita que o Presidente eleito, segundo resultados provisórios, pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), João Lourenço, deverá governar o país como "subordinado" de José Eduardo dos Santos, o chefe de Estado cessante. Em entrevista à DW, o jornalista, já crítico ao atual Governo, explica porque chama as eleições angolanas em 2017 de "roubadas". Segundo Marques, o "fantasma da guerra" é um "discurso" usado pelo MPLA porque o partido tem medo de perder o poder, e isso nota-se em 2017...[A]pela à uma reforma política e económica profunda que começaria com a mudança de ministros em função, além das demissões de Isabel dos Santos da presidência da Sonangol e de José Filomeno dos Santos do Fundo Soberano. Ambos são filhos do Presidente cessante, José Eduardo dos Santos...[A]credita que o Presidente eleito, (segundo os resultados provisórios da CNE) João Lourenço, não tenha força política para mudar o que está mal...

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29 August 2017

Angola: País se prepara para a saída do presidente Dos Santos, acusado de corrupção e privatização do setor diamantífero, petrolífero e bancário para seus filhos

Autor: Gemma Parellada, El Pais

"Angola se prepara para a saída de presidente Dos Santos depois de quase quatro décadas-O presidente, no poder desde 1979, deixa o cargo depois das eleições desta quarta-feira", 25 de agosto de 2017

...[E]leições desta quarta-feira...não apontam mudança política, mas serão uma histórica e retumbante despedida: a do presidente José Eduardo dos Santos..."Este país precisa de mudança", afirma Abel Chivukuvuku, o candidato de um dos principais partidos da oposição (CASA-CE)...Os recursos minerais, como os diamantes e, sobretudo, o boom do petróleo, permitiram ao Estado reconstruir uma parte da infraestrutura totalmente destruída pela guerra, que terminou em 2002. Treze anos de luta pela independência de Portugal, mais 27 de guerra civil, deixaram o país cicatrizado pelas bombas, pelos deslocados, pelos feridos, e sob o perigo das minas antipessoal...O colapso do preço do petróleo freou o desenvolvimento econômico do país, que entrou em recessão pela primeira vez desde 2002...Na rua, as divergências são suaves, amáveis e cordiais. Mas expressar uma opinião contrária ao MPLA pode ter graves consequências...O jornalista e ativista Rafael Marques de Morais esteve na prisão, foi ameaçado e acusado pelas autoridades de "injúria contra a autoridade pública"...João Lourenço, ministro da Defesa e, aos 63 anos, substituto de José Eduardo dos Santos, não é indício de uma abertura do sistema, nem sequer nas fileiras do MPLA, mas bem o contrário. "Não é um homem de diálogo", afirma..."O presidente Santos privatizou o Estado, os principais bens do país – o setor diamantífero, o petróleo e o setor bancário – estão em mãos de seus filhos", denuncia. A filha mais velha, Isabel dos Santos, se transformou na primeira mulher bilionária da África. Segundo o Centro de Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, entre 2002 e 2015 o equivalente a 90 bilhões de reais do orçamento do Governo desapareceram...

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