Brasil: Assassinato de cacique por garimpeiros ocorre em contexto de aumento de ataques e invasões a terras indígenas, com apoio de Bolsonaro

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Desde o início de 2019, os índios brasileiros se depararam com mais um desafio: a escalada no número de invasões e ataques aos grupos e a terras indígenas, muitas vezes caracterizados por atos violentos e brutais, acarretando em mortes, feitos por garimpeiros e fazendeiros. Em 22 de julho, o cacique Emyra Wajãp da etnia Wajãpi foi violentamente assassinado por grupo de garimpeiros. Os Yanomami, por exemplo, afirmam que as invasões de garimpeiros dispararam: segundo a contagem feita por eles, em torno de 20 mil estão atualmente no território.

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Artigo
5 August 2019

Brasil: Conselho das Aldeias Wajãpi divulga segunda nota sobre execução de cacique

Autor: Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina)/Instituto Socioambiental (ISA)

"Conselho das Aldeias Wajãpi atualiza informações sobre morte de cacique e invasão ao território”, 29 de julho de 2019 

O Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) divulgou nesta segunda-feira (29/7) uma segunda nota com as últimas informações sobre a invasão à Terra Indígena Waiãpi. Segundo o documento, as equipes de polícia chegaram à região no domingo (28/7). Também relatam muito medo dos indígenas para sair para as roças ou caçar em zonas com presença de invasores...[N]ós do Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina queremos divulgar as informações que temos hoje, dia 29 de julho de 2019, sobre a invasão da Terra Indígena Wajãpi...[N]ós Wajãpi continuamos muito preocupados com os invasores que estão na região norte da nossa Terra Indígena. Nas aldeias desta região as famílias estão com muito medo de sair para as roças ou para caçar. Algumas comunidades saíram de suas aldeias para se juntar com famílias de outras aldeias para se sentirem mais seguras. Por isso nossos guerreiros de todas as regiões da TIW estão se organizando para ajudar os guerreiros da região do Mariry, que continuam procurando os invasores, e pedimos apoio da Funai para isso. Se tivermos informações novas, iremos fazer outras notas.

Posto Aramirã – Terra Indígena Wajãpi, 29 de julho de 2019.

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Artigo
29 July 2019

Brasil: Cacique Emyra Wajãpi é executado por garimpeiros em ataque a aldeia no Pará

Autor: Felipe Betim, El País (Brazil)

“Assassinato de liderança Wajãpi expõe acirramento da violência na floresta sob Bolsonaro”, 28 de julho de 2019

...[U]m grupo de garimpeiros assassinou o cacique Emyra Wajãpi, de 68 anos...[A]...morte foi o início de um ataque à aldeia Mariry, que se concretizou...com a invasão de 50 garimpeiros no local, localizado no oeste do Amapá...[S]egundo relatos, o cacique Emyra Wajãpi foi esfaqueado no meio da mata no momento em que se deslocava até sua aldeia...[S]eu corpo foi jogado no rio e encontrado por sua esposa. Um documento interno da FUNAI obtido pelo jornal Folha de S. Paulo aponta que cerca de 15 invasores portando armas de grosso calibre tomaram uma aldeia e têm feito incursões para intimidar os índios da região, de acordo com os relatos dos moradores do Terra Wajãpi...[O]...território Wajãpi fica próximo à divisa com o Pará e é lar 1.300 indígenas dessa etnia. Demarcado em 1996 pelo Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), abrange uma área de 6.000 quilômetros quadrados ricos em ouro, muito cobiçado por garimpeiros e mineradoras. Somente os indígenas possuem autorização para, de forma artesanal, explorar o ouro. Metade do território está dentro da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca)...[B]olsonaro tem afirmado que vai apresentar um projeto para legalizar o garimpo no Pará...[S]obre a reserva Yanomami, o presidente argumentou: "Terra riquíssima. Se junta com a Raposa Serra do Sol, é um absurdo o que temos de minerais ali. Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos"...

 

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29 July 2019

Brasil: Povos Yanomami relatam atuação ilegal de garimpeiros no território

Autor: Nádia Pontes, Deustche Welle (Brazil)

“A onda de invasões de garimpeiros que ameaça os Yanomami”, 29 de julho de 2019

...[O]s indígenas afirmam que as invasões dispararam nos últimos sete meses. Segundo a contagem feita por eles, até 20 mil garimpeiros estão atualmente no território atrás de ouro. Eles desmatam, abrem cavas na terra e contaminam o solo e a água com mercúrio. A maior parte deles monta acampamento a poucos minutos de caminhada das aldeias...[P]istas de pouso clandestinas são construídas para trazer suprimentos e levar o ouro encontrado. Sobrevoos feitos recentemente identificaram, além de casas improvisadas, bares, pontos de wifi e cabarés nas áreas de garimpo...[O]...território dos Waiãpi, no Amapá, foi invadido por um grupo de garimpeiros armados, e um líder indígena foi assassinado, provocando tensão e reações de entidades e políticos...[A]...recente onda de invasões de garimpeiros ganhou força depois que a vigilância na TI Yanomami diminuiu. A Funai mantinha quatro Bases de Proteção Etnoambiental (Bape) no local, mas três foram desativadas. Apenas a de Ajarani está em funcionamento, a qual é voltada para o atendimento aos povos Yanomami de recente contato. Duas bases do Exército montadas na área após uma operação, em 2018, também foram desmobilizadas...[H]á pouco mais de um mês, a associação Hutukara protocolou em Brasília as denúncias sobre o aumento das invasões de garimpeiros. Dario fez parte da comissão que entregou diversos documentos ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, à pasta da Defesa e à Funai. A denúncia incluía pontos de garimpo marcados com GPS pelos indígenas."O presidente da República não se posicionou, não se moveu para tirar os garimpeiros da nossa terra. Esse atual presidente é pior que os anteriores. Ele está apoiando grande mineração nas terras indígenas...[E]le está tentando acabar com os povos indígenas do Brasil, as violações de nossos direitos são muito graves”...

 

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28 July 2019

Brasil: Conselho das Aldeias Wajãpi divulga nota com informações a respeito da invasão da Terra Indígena

Autor: Conselho das Aldeias Wajãpi - Apina (Brazil)

“NOTA DO APINA SOBRE A INVASÃO DA TERRA INDÍGENA WAJÃPI”, 28 de julho de 2019

Nós do Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina queremos divulgar as informações que temos até agora sobre a invasão da Terra Indígena Wajãpi. 2ª feira, dia 22/07, no final da tarde, o chefe Emyra Wajãpi foi morto de forma violenta na região da sua aldeia Waseity, próxima à aldeia Mariry. A morte não foi testemunhada por nenhum Wajãpi e só foi percebida e divulgada para todas as aldeias na manhã do dia seguinte (3ª feira, dia 23). Nos dias seguintes, parentes examinaram o local e encontraram rastros e outros sinais de que a morte foi causada por pessoas não-indígenas, de fora da Terra Indígena. 6ª feira, dia 26, os Wajãpi da aldeia Yvytotõ, que fica na mesma região, encontraram um grupo de não-índios armados nos arredores da aldeia e avisaram as demais aldeias pelo rádio. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores. No dia seguinte, os moradores do Yvytotõ fugiram com medo para outra aldeia na mesma região (aldeia Mariry). No dia 26 à noite nós informamos a Funai e o MPF sobre a invasão e pedimos para a PF ser acionada. Na madrugada de sexta para sábado, moradores da aldeia Karapijuty avistaram um invasor perto de sua aldeia...[N]o dia 27, sábado, nós começamos a divulgar a notícia para nossos aliados...[N]o dia 27 à tarde, representantes da Funai chegaram à TIW e foram até a aldeia Jakare entrevistar parentes do chefe morto, que se deslocaram até lá. Os representantes da Funai voltaram para Macapá para acionar a Polícia Federal. Os guerreiros wajãpi ficaram de guarda próximo ao local onde os invasores se encontram e nas aldeias que ficam na rota de saída da Terra Indígena...[I]sso é o que sabemos até agora. Quando tivermos mais informações faremos outro documento para divulgação...

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