Brasil: Incêndio destrói Museu Nacional do Rio de Janeiro, com acervo de 200 anos de história; especialistas associam tragédia a impactos da política de austeridade do governo

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Incêndio destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro na noite de 2 de setembro. O museu recém havia completado 200 anos de história, e era ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. O museu era a primeira instituição científica do país, considerado o maior museu de história natural da América Latina, tinha o mais antigo fóssil humano encontrado no país (Luzia tinha cerca de 11 mil anos), o mais importante acervo indígena, além de biblioteca rica de antropologia e acervo com mais de 20 milhões de itens. O Museu sofria com cortes de custos. Muitos especialistas creditam o incêndio e as condições frágeis do museu às políticas de austeridade do governo. Alguns especialistas falam especialmente que a tragédia era “anunciada” e que já é um impacto da Emenda Constitucional 95,  que congela gastos públicos por 20 anos, e outras medidas de austeridade. Muitas organizações da sociedade civil alegam que tais políticas de austeridade têm como intuito favorecer setores privados. As políticas de austeridade no país foram condenadas também pelos relatores especiais da ONU.

 

Para saber mais sobre o impacto de políticas de austeridade, veja aqui, ou neste artigo, nesta outro aqui , nestre outro item, nesta história com opiniões de autoridades e de Philip Alston, e vários outros artigos em nosso site.

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Artigo
4 September 2018

Brasil: Plataforma Dhesca alega que Est. Brasileiro e mercado financeiro são responsáveis por incêndio do Museu, que sofreu com impactos das pressões do setor financeiro, mercado e meios de comunicação por adoção de políticas de austeridade

Autor: Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil (Brazil)

"Nota da Plataforma Dhesca sobre a destruição do Museu Nacional e a responsabilidade do Estado brasileiro", 3 de setembro de 2018

A Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil lamenta profundamente o incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional...O dano é incalculável...A pressão do setor financeiro, do mercado e dos meios privados de comunicação pela adoção de medidas neoliberais tem crescido desde 2013 e exposto as universidades públicas a um contexto de alta vulnerabilidade. A adoção de políticas econômicas de austeridade, expressa com mais força pela Emenda Constitucional 95/2016, que impõe fortes restrições ao uso do recurso público para políticas sociais, é gerador deste caos. O Ministério da Cultura corre risco de se tornar inviável em poucos anos: o orçamento do MinC em 2018 é o menos da metade do autorizado em 2014, ano ainda com baixo orçamento, e ainda resiste pela luta de coletivos de defesa da cultura e servidores comprometidos. A Dhesca Brasil, integrante da Coalizão Anti-austeridade e pela Revogação da Emenda Constitucional 95, defende a imediata revogação desta perversa medida que impõe como projeto político para o país a desresponsabilização do Estado pela vida da população brasileira. Em pouco mais de um ano de implementação da EC 95 mais de um milhão de meio de pessoas foram incluídas na faixa da extrema pobreza. Agora, com o incêndio anunciado do patrimônio cultural e científico que é o Museu, é a educação e a história que são violentadas. Foi o Estado brasileiro e o mercado financeiro que destruíram o Museu Nacional e devem ser responsabilizados. Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil...

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3 September 2018

Brasil: Presidenta da Assoc. Nac. dos Pós-Graduandos afirma que incêndio é materialização da política de corte do gov. no orçamento para ciência e cultura

Autor: Verônica Lugarini, Jornal Tornado (Brazil/Portugal)

"Incêndio é materialização da política de corte, diz presidenta da ANPG", 3 de setembro de 2018
..."[E]stamos falando da construção da cidadania brasileira,...nosso pensamento crítico passa pelo acesso a esse tipo de conhecimento. Esse processo [de restrições que levou ao incêndio] tem responsáveis e essa é a questão principal"...Foram perdas inestimáveis...mas...já eram anunciadas. Em junho deste ano, o museu realizou uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro para reabrir sala de dinossauro, interditada há cinco meses após um ataque de cupins, o museu armou uma campanha de financiamento coletivo na internet. A meta era chegar a R$ 50 mil...[O]...governo já era omisso em relação às necessidades de manutenção do museu. Com os seguidos cortes no orçamento da instituição, o Museu Nacional não recebe integralmente, desde 2014, a verba de R$ 520 mil anuais para sua manutenção. Em 2016, esse orçamento caiu para R$ 415 mil, em 2017 foi para R$ 346...Mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),...foi afetado também pelo sucateamento das universidades brasileiras. Em 2016, por exemplo, a UFRJ ficou sem dinheiro para pagar os terceirizados, o que levou ao fechamento temporário do museu...[T]emos os próprios cortes das universidades públicas que têm sofrido também contingenciamento de recursos e o Museu Nacional estava vinculado a UFRJ...[T]emos o abandono da Ciência e da Cultura...também...vinculado a Emenda Constitucional 95. Esse incêndio é a prova nua e crua, é a materialização do que a política de cortes de verba pode fazer". Flávia Calé, presidenta da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG)...A destruição do Museu Nacional do Rio de Janeiro não é exceção no país...Os mais recentes...foram os foi o Museu da Língua Portuguesa, que pegou fogo em 2015 e a Cinemateca Brasileira em 2016...[,]...Teatro Cultura Artística (2008), Instituto Butantan (2010), Memorial da América Latina (2013), Museu de Ciências Naturais da PUC de Minas Gerais (2013) e o Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios (2014)...[D]escaso dos últimos anos foi aprofundado pelo teto dos gastos que limita os investimentos ao crescimento da inflação durante 20 anos...[E]nquanto isso, o orçamento de 2018 para o Museu Nacional foi equivalente ao novo salário mensal dos juízes, que devem receber R$ 39 mil cada. Já que o museu recebeu só R$ 54 mil par este ano...

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3 September 2018

Brasil: Pró-reitor da Univ. Federal do Rio de Janeiro acredita que incêndio do Museu Nacional escancara o caráter criminoso das políticas de ‘austeridade’

Autor: Revista Fórum (Brazil)

"Para pró-reitor da UFRRJ, incêndio escancara o caráter criminoso das políticas de 'austeridade-Alexandre Fortes pergunta ainda: 'Um país que vai colocar um psicopata imbecil que ensina crianças de colo a atirar no segundo turno, vai por acaso investir em cultura e ciência?'", 3 de setembro de 2018
O Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação UFRRJ, Alexandre Fortes, publicou texto em sua conta no Facebook...[em 2 de setembro]...sobre o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ainda sob o impacto das chamas, Fortes diz que "a perda é imensurável e irreparável. "Mas", segundo ele, "acima de tudo, escancara o caráter criminoso das políticas de 'austeridade' transformadas em emenda constitucional. Para que nunca mais se repita a 'aventura' de gastar com educação, saúde, cultura, ciência e tecnologia", declara de forma irônica..."Um país que deixa de vacinar suas crianças, que assiste ao crescimento da mortalidade infantil, que assassina 60.000 pessoas por ano, que vai colocar um psicopata imbecil que ensina crianças de colo a atirar no segundo turno, vai por acaso investir em cultura e ciência?", disse...Na guerra, não há tempo para chorar Por Alexandre Fortes* Estamos assistindo à destruição do maior e mais importante acervo científico do país e os golpistas já estão querendo responsabilizar a UFRJ pela tragédia de hoje. O Museu Nacional, além de tudo que significava como patrimônio e como instituição de pesquisa era o ponto natural de concentração das Marchas pela Ciência, o berço ao qual sempre regressava nossa maltratada e aguerrida comunidade científica. O porto seguro de todos que teimam em acreditar que esse país pode ser soberano e usar nossa imensa capacidade de produção de conhecimento para oferecer uma vida digna ao seu povo.
A perda é imensurável e irreparável. É verdade que ela expõe nossa incapacidade de fazer investimentos estruturais mesmo nos momentos favoráveis...[E]scancara o caráter criminoso das políticas de "austeridade" transformadas em emenda constitucional. Para que nunca mais se repita a "aventura" de gastar com educação, saúde, cultura, ciência e tecnologia. Especialmente depois que se comprovou que esses gastos podem fazer a economia girar em favor do desenvolvimento e da redução da desigualdade...

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3 September 2018

Brasil: Sind. dos Prof. de São Paulo se indigna com incêndio, alegando que o gov. age em prol de interesses privados da especulação financeira e subtrai investimentos em áreas essenciais

Autor: Revista Giz (Brazil)

"Incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro", 3 de setembro de 2018

Assim como toda a sociedade brasileira, as professoras e os professores foram tomados de tristeza e de indignação pela notícia do incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro..[T]rata-se de uma tragédia para a nossa memória histórica e para nossa vida acadêmica e intelectual. Os prejuízos decorrentes do desaparecimento de áreas fundamentais do acervo do Museu são incalculáveis, em alguns casos atingindo projetos de pesquisa que vinham se desenvolvendo há tempos e que agora sofrem uma repentina e irrecuperável paralisação. Como a vida de um museu é dinâmica e parte integrante do conjunto de valores sobre os quais a nação se constrói, a destruição do Museu Nacional do Rio tem para nós a mesma consequência que a destruição impensável do Louvre, na França, ou do MOMA, nos Estados Unidos, para ficarmos em dois dos mais conhecidos museus do mundo...Não foi acaso, não foi um fato imprevisível. Foi um crime dadas as frequentes e insistentes advertências sobre o estado de calamidade em que o Museu se encontrava em decorrência da subtração de recursos destinados à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), à qual ele estava vinculado. O incêndio, assim, é parte de uma política geral de desmazelo com o patrimônio social da nação, seja na área das Ciências ou nas áreas da Cultura, da Educação, da Saúde, das riquezas naturais. Nesse sentido, a tragédia que fez desaparecer a primeira das instituições científicas nacionais e provavelmente a mais rica, adquire esse sentido esquizofrênico que temos testemunhado nos últimos anos: um governo que, em nome de interesses privados da especulação financeira, subtrai investimentos essenciais nas áreas estratégicas do país, quando do não as aliena deliberadamente...

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