Brasil: Indígenas alegam que Força Nac. recebeu Munduruku com bombas em protesto por danos a locais sagrados causados por construtoras da hidrelétrica de São Manuel; empresas negam

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O Movimento Xingu Vivo Para Sempre afirma que em 13 de outubro de 2017 cerca de 80 indígenas protestaram no canteiro de obras da hidrelétrica de São Manoel, no Mato Grosso, e foram recebidos com bombas de efeito moral pela Força Nacional de Segurança. Além disso, afirmam que "um interdito proibitório – ordem judicial que antecipadamente criminalizou três lideranças indígenas e impôs multa diária de R$ 5 mil caso ocorresse alguma ação no canteiro de obras de São Manuel (de responsabilidade da EDP Brasil, Furnas Centrais Elétricas e China Three Gorges Corporation)". Reivindicam, principalmente, um pedido formal de desculpas das construtoras das hidrelétricas de Teles Pires e São Manuel pelos danos causados aos locais sagrados e às urnas funerárias. As empresas não comparareceram a audiência pública sobre o tema mas enviaram notificação explicando sua ausência bem como negando as acusações - ver mais aqui sobre o caso.

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Artigo
17 October 2017

Brasil: Indígenas alegam que Força Nac. recebeu Munduruku com bombas em protesto pelos danos aos seus locais sagrados causados por construtoras da hidrelétrica de São Manuel; empresas negam

Autor: Movimento Xingu Vivo para Sempre (Brazil)

"Força Nacional recebe munduruku com bombas em ação de defesa de território sagrado", 15 de outubro de 2017
...O povo munduruku voltou! Nós mulheres e homens do povo munduruku voltamos com nossos pajés para perto de nossa Dekuka'a e Karubixexe. Viemos fazer nosso ritual. Estivemos em julho aqui para conversar com os pariwat que destruíram nosso lugar sagrado...aonde nossos antepassados vivem...[Q]ueremos os dapixiat (mentirosos) longe de nós...[A]s mentiras que vocês contaram em julho escureceram nossos olhos mas nossos pajés estão conosco e agora não vão deixar que o cauxi da boca de vocês adoeça nosso povo. Queremos falar com gente séria...Estamos aqui pra defender nosso direito, lutar contra as ameaças ao nosso território denunciar as hidrelétricas no rio...O ataque das hidrelétricas contra nossos locais sagrados não vai ficar assim. Não vamos sossegar até que o IBAMA cancele a licença da hidrelétrica, até que as duas empresas peçam desculpas aos nossos antepassados e ao nosso povo e cumpram o combinado para a segunda visita às nossas urnas. Quando chegamos, fomos recebidos com bomba, uma barreira da força nacional e um papel do juiz que nos impedia de entrar no nosso próprio território, que foi roubado pela usina. Estamos esperando justiça até hoje pela destruição de Dekoka'a e a justiça funciona para proteger a usina hidrelétrica e trata nós como criminosos. Nesse papel também estava o nome de lideranças, dizendo que teríamos que pagar uma multa de R$ 5 mil por dia se ficarmos aqui. Queremos deixar claro que não somos criminosos. Que estamos no nosso local sagrado e que temos o direito de ficar aqui até que a gente seja atendido. Entregaram um papel escrito à caneta dizendo que vão trazer o diretor da DPDS da FUNAI. Não foi isso que pedimos...Queremos o presidente do IBAMA, presidente da FUNAI, presidente do IPHAN e diretor da CHTP para dialogar com a gente. Se Miguel Setas e Antonio Mexa estão em outro país, que enviem os representantes maiores da EDP no Brasil ou enviem nossas lideranças para lá, falar com eles no país de onde vem essa empresa que está nos matando. O Idixidi é o rio do povo Wuyjuyu, nós deixamos os wuyḡuybuḡun ficar no rio, só os ribeirinhos e os pescadores sabem respeitar o rio. Não escolhemos essa guerra, mas vamos vencer! Sawe! Movimento Munduruku Ipereg Ayu

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