Brasil: Indígenas Munduruku e quilombolas são ameaçados pelo avanço da soja no Planalto Santareno

Autor: Barbara Dias, Mariana Pontes e Tiago Miotto, Conselho Missionário Indigenista (Brazil), Publicado em: 26 November 2019

“A cerca que os divide: povo Munduruku do Planalto Santareno pressionado pela soja”, 18 de novembro de 2019

...De um lado, as famílias Munduruku do Planalto Santareno, no oeste paraense, cultivam graviola, pupunha, pequiá, pimenta, trabalham em suas roças de macaxeira, produzem farinha e fazem o manejo do açaí. Do outro, o que se pode ver é a destruição de igarapés e nascentes, o envenenamento de cultivos tradicionais e a intoxicação dos próprios indígenas pelos agrotóxicos...[O]s indígenas relatam constantes violações contra o meio ambiente e contra as próprias comunidades, que incluem intimidações e ameaças às lideranças...[A]...expansão do monocultivo preocupa os indígenas, à medida que se aproxima de suas casas, suprime as matas e os igarapés e ameaça seu modo de vida...[A]...batalha para evitar o desmatamento de novas áreas se dá em todas as aldeias. Com frequência, os indígenas denunciam a situação e cobram medidas das autoridades...[E]m novembro de 2018, uma comitiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pôde verificar esse contexto, na prática, quando visitou a aldeia...[A]...delegação...foi perseguida por duas caminhonetes que transportavam produtores de soja conhecidos na região...[O]...envenenamento do solo, dos igarapés e das próprias pessoas pelo uso intensivo de agrotóxicos acaba tornando precárias as condições de sobrevivência e autonomia dentro dos territórios. A isso soma-se a grilagem e a especulação fundiária, razão pela qual muitas famílias foram pressionadas a abandonar seus pequenos pedaços de terra e migrar para a área urbana de Santarém...[A]...disputa pelas águas, mais recentemente, também tem se dado em outro campo de batalha: o projeto de construção de um complexo portuário graneleiro no Lago do Maicá. Os estudos de impacto ambiental do empreendimento sequer mencionaram a presença de comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas na região...

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