Brasil: 'Janeiro sangrento' para os Kaiowá do Mato Grosso do Sul tem incêndio em casa de reza, ataques de seguranças privados e corte em cestas básicas, afirma Mongabay

Autor: Caio de Freitas Paes, Mongabay (Brazil), Publicado em: 21 February 2020

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"'Janeiro sangrento' para os Kaiowá do Mato Grosso do Sul tem incêndio em casa de reza, ataques e corte em cestas básicas", 14 Fevereiro 2020
No início de janeiro, atentados a locais sagrados, expulsões e violentos embates contra seguranças armados e oficiais do governo estadual assolaram os Kaiowá de Dourados e Rio Brilhante, municípios próximos à fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai...O ataque à casa de reza é o segundo do tipo em...menos de 6 meses...[U]ns acusam não-indígenas, outros atribuem os atentados a membros da própria comunidade convertidos ao cristianismo. Denominações de matriz evangélica estão presentes na região desde os anos 1930, e continuam em expansão... área é a de maior violência contra indígenas no Brasil: a taxa de homicídios ali é maior que o triplo observado em outras etnias – um índice superior ao do Iraque...Acredita-se que conflitos fundiários sejam o principal motivo por trás da violência contra os indígenas do Mato Grosso do Sul, cujo território ancestral é cada vez mais cercado pelas grandes lavouras e também pela própria cidade...[D]ecisão do governo federal no fim de 2019...determina que toda e qualquer viagem a campo seja autorizada pela presidência da Funai. Graças à medida, tem sido comum a demora no apoio de servidores a comunidades como essa. O atual presidente da Funai é o ex-delegado da Polícia Federal, Marcelo Xavier, notório aliado de grandes fazendeiros no Mato Grosso. Em agosto de 2019, ele negou que trabalhe a serviço dos ruralistas...[O]...Ministério Público Federal disse que, após o incêndio na aldeia Jaguapiru, foi realizada uma audiência pública sobre intolerância religiosa no fim de novembro de 2019...Enquanto os indígenas lutavam para apagar o incêndio na casa de reza em Rio Brilhante, outro ataque aconteceu na periferia de Dourados. Seguranças particulares de fazendas ao redor da reserva atacaram cerca de cem famílias Kaiowá em áreas retomadas nos limites da Reserva Indígena...O grupo de agressores era composto por cerca de 15 seguranças armados, munidos com um trator modificado – apelidado de "caveirão" pelos indígenas...[U]ma criança teria perdido os dedos de uma das mãos ao manusear uma granada, atirada contra os indígenas...Um dos mais recentes picos de violência em Dourados aconteceu em junho de 2019:...seis indígenas foram assassinados...Por decisão da Funai de Marcelo Xavier, foi interrompido o envio de cestas básicas a mais de 77 mil indígenas que vivem em áreas ainda não demarcadas...

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