Brasil: Latifundiário que responde a inúmeros processos trabalhistas e embargos no IBAMA é sentenciado à prisão por assassinato de líder sindical

Autor: Glaucia Marinho, Justiça Global (Brazil), Publicado em: 19 August 2019

“Prisão de latifundiário responsável pela morte do sindicalista José Dutra da Costa é um passo contra a barbárie no campo”, 16 de agosto de 2019

Após quase 20 anos de luta por justiça, um julgamento anulado e outro suspenso, foi sentenciado a 12 anos de prisão o latifundiário Décio José Barroso Nunes, acusado de ser o mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho. O crime aconteceu no dia 21 de novembro de 2000, em Rondon do Pará...[C]ontudo, o fazendeiro seguirá livre até o esgotamento dos recursos. A decisão é uma vitória contra a violência e a impunidade no campo...[D]urante o júri...o advogado dele, Antônio Freitas Leite, chegou a intimidar a viúva de Dezinho, Dona Maria Joel Dias da Costa, que também preside o Sindicado dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, e deslegitimar as/os trabalhadores/as rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Delsão é um grande latifundiário, possui cerca de 130 mil hectares de terra em Rondon do Pará – quase sua totalidade em terras públicas. O fazendeiro também responde a mais de 30 embargos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) por crimes ambientais e outros 500 processos na Justiça do Trabalho. Durante as investigações do assassinato de Dezinho, foram abertos outros quatro inquéritos para apurar a participação de Delsão em homicídios de 05 trabalhadores de suas serrarias, mas nenhum desses inquéritos foi concluído...[E]m 2010, o governo brasileiro assinou um acordo com a Organização dos Estados Americanos (OEA) reconhecendo a sua responsabilidade na morte de Dezinho, onde se comprometeu a implantar diversas políticas públicas relacionadas à reforma agrária...

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