Brasil: Pequenas cidades se mobilizam contra o agronegócio e a pulverização de agrotóxicos pelo ar

Autor: Agência Pública e Repórter Brasil , Publicado em: 29 July 2020

“Como o agronegócio atua para garantir a pulverização de agrotóxicos pelo ar”, 23 de Julho de 2020

Imagine viver em uma região onde é comum ter problemas respiratórios. Em que no começo da noite, o cheiro de produtos tóxicos invade as casas, levando os moradores a sofrer com dores de cabeça, náuseas e vômitos. Surgem casos de câncer, algumas mulheres grávidas sofrem abortos espontâneos e bezerros nos pastos passam a nascer sem órgãos. Essa é a história que contam os moradores do município de Boa Esperança, no interior do Espírito Santo. A revolta com a situação levou mais de 10% da população da cidade a assinar um projeto de lei de iniciativa popular para proibir a pulverização aérea de agrotóxicos. O padre Romário Hastenreiter, pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças, deu início ao abaixo assinado, que contou com apoio de 2680 dos quase 15 mil moradores....O projeto foi votado sob grande pressão popular...Deu resultado e os vereadores decidiram por unanimidade aprovar o projeto, depois sancionado pelo prefeito. 

...Boa Esperança faz parte de um grupo de 15 municípios e um estado, o Ceará, que, mesmo diante do lobby do agronegócio, baniram de vez a fumigação aérea. Mas as decisões não foram bem aceitas e, para suspendê-las, alguns gigantes do setor agrícola e de transporte aéreo recorreram até ao Judiciário. Cerca de 10% da população de Bom Sucesso (ES) assinou um projeto de lei de iniciativa popular para proibir a pulverização aérea de agrotóxicos na cidade...o maior problema é o enorme risco do veneno atingir mais locais do que apenas o alvo da fumigação. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entrou com duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade das legislações...O agrotóxico mais usado na região era o Round Up, da Monsanto. O produto é feito à base de Glifosato, pesticida mais vendido no Brasil e no mundo. Em 2015, após diversos estudos, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) classificou o produto como provavelmente carcinogênico para humanos.

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