Brasil: Data centre da Elea na Amazônia gera preocupações sobre impactos ambientais e lacunas regulatórias; inclui comentários da empresa
“Primeiro data center de IA na Amazônia gera debate por risco de ‘ilhas de calor’ e expõe ausência de regras específicas no Brasil”, 9 de agosto de 2026.
A área portuária de Miramar, no bairro do Barreiro, em Belém, vai receber o primeiro data center para Inteligência Artificial da Amazônia, o BEL1, da Elea Data Centers. O projeto é alvo de um inquérito civil do Ministério Público do Pará (MPPA), que alerta para o risco de formação de "ilhas de calor" em uma região já castigada por temperaturas extremas. O empreendimento também chama atenção para a ausência, no Brasil, de regras ambientais específicas para a instalação de data centers...
Não foram realizadas consultas públicas com moradores dos bairros Miramar, Barreiro, Sacramenta e Pratinha, que ficam próximos ao local da instalação...
A empresa afirma que usará sistemas de ar-condicionado para resfriar os equipamentos, em vez de água. É a chamada "expansão direta", um tipo de refrigeração industrial bastante utilizado em data centers...
Para além da temperatura, especialistas alertam para outros possíveis desequilíbrios. O professor Ximenes aponta que manter o resfriamento contínuo dessas máquinas pode gerar uma poluição sonora "severa": enquanto a Lei Complementar de Controle Urbanístico de Belém limita ruídos a 65 dB, o entorno de data centers pelo mundo pode atingir 96 dB...
No Brasil, não há regulamentação específica para instalações de data centers, ou seja, não existem leis ou diretrizes ambientais criadas sob medida para avaliar o impacto de energia e calor desse tipo de tecnologia. ..
Além do espaço, a energia usada pelo data center também será fornecida pela Axia Energia..
A Elea Data Centers disse, em nota, que "o projeto está sendo implantado em área industrial privada, dentro do Centro de Tecnologia da Axia Energia" e que a previsão de início das operações "reflete o cronograma de desenvolvimento do projeto, alinhado à implantação da infraestrutura e à entrada de seus clientes, permanecendo condicionada ao cumprimento de todas as etapas do processo de licenciamento e às aprovações dos órgãos competentes".
Segundo a empresa, ainda "está sendo desenvolvida a estratégia de relacionamento com as comunidades do entorno, com previsão de mapeamento das lideranças locais, a apresentação do projeto e a criação de canais permanentes de diálogo".
A Elea afirmou ainda que "não foi formalmente notificada pelo MPPA" e que "permanece à disposição para colaborar com as autoridades, prestar os esclarecimentos necessários e cumprir integralmente todos os requisitos aplicáveis ao empreendimento"...