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Artigo

3 Nov 2021

Autor/autora:
Repórter Brasil

Brasil: Em maior resgate do ano, 116 pessoas eram mantidas em condição análoga à escravidão na colheita de palha para cigarros da Souza Paiol

Grupo Especial de Fiscalização Móvel/Divulgação

“Em maior resgate do ano, Souza Paiol é responsabilizada por manter 116 trabalhadores escravizados na colheita de palha para seus cigarros”, 26 de outubro de 2021

...o empresário José Haroldo de Vasconcelos...[d]a Souza Paiol — maior fabricante de cigarros de palha do Brasil...foi responsabilizado por manter 116 trabalhadores escravizados na colheita de palha para os cigarros de sua empresa. O flagra ocorreu durante uma fiscalização trabalhista em uma fazenda em Água Fria de Goiás (GO)…Foi o maior resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão realizado este ano, considerando o número de envolvidos.

Entre os trabalhadores estavam cinco adolescentes, sendo um de apenas 13 anos. “Não tinham nenhum direito trabalhista, dormiam em alojamentos péssimos, não recebiam equipamentos de proteção individual e o motorista do ônibus que os levava para a colheita não era habilitado”, detalha o auditor-fiscal do trabalho, Marcelo Campos...

O grupo relatou que trabalhava com fome, pois a jornada começava às 5h e eles não tinham direito a café da manhã – a primeira marmita chegava apenas às 11h. Devido a essa situação, os trabalhadores temiam sofrer um mal súbito, segundo contaram aos auditores. De acordo com Campos, eles recebiam apenas mais uma marmita no dia, com uma refeição precária.

...Os trabalhadores não receberam itens de higiene básicos, como sabão ou papel higiênico. Durante a colheita, em plena pandemia, precisavam beber água da mesma garrafa. Segundo relatam os fiscais, nenhuma medida para prevenir a transmissão da covid-19 foi tomada.

…Outro agravante era o fato de as facas usadas pelos trabalhadores para separar a palha da espiga eram cobradas pelos contratantes, que também cobravam pelas pedras usadas para amolá-las e até pelas fitas adesivas usadas pelos trabalhadores para protegerem os dedos...

..os 116 trabalhadores receberam as indenizações, pagas pela Souza Paiol, que somadas chegam a R$ 900 mil.

As negociações entre Vasconcelos, o empresário da Souza Paiol, e os contratantes da mão de obra eram totalmente informais, sem documentos assinados e baseada apenas em acordos verbais. Vasconcelos negociou com dois contratantes para que eles montassem uma frente de trabalho e recrutassem os trabalhadores para colher a palha do milho na Fazenda Araçá, em Água Fria de Goiás.

…A estratégia de não criar vínculos entre os trabalhadores e a empresa foi apontada pelo coordenador da operação como uma forma de ocultar o responsável pela exploração dos trabalhadores. Contudo, um depósito de R$ 600 mil realizado pelo proprietário da Souza Paiol permitiu a identificação do responsável pela contratação dos “gatos”...