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Artigo

10 Nov 2022

Author:
Repórter Brasil

Brasil: Investigação revela que JBS comprou quase 9 mil cabeças de gado criado em fazendas do maior desmatador do país; empresa reconhece o crime

“JBS admite ter comprado quase 9 mil bois ilegais do ‘maior desmatador do país’”, 10 de novembro de 2022

...a brasileira JBS comprou 8.785 cabeças de gado de três fazendas que desmataram a Amazônia em Rondônia. As compras irregulares ocorreram durante pelo menos quatro anos, entre 2018 e 2022, sem que os sistemas de monitoramento da empresa barrassem os negócios. Todas as fazendas pertencem à mais famosa quadrilha de infratores ambientais do estado, cujo líder, Chaules Volban Pozzebon, está preso por extração ilegal de madeira e é considerado o maior desmatador do país, além de ter sido condenado por usar mão de obra escrava. É o que revela uma investigação inédita feita pela Repórter Brasil, em parceria com o Greenpeace Brasil e o Unearthed, braço jornalístico do Greenpeace.

A JBS confirmou os dados obtidos pela reportagem e admitiu não apenas as compras irregulares como a participação de seus funcionários no esquema. Segundo a companhia, essas compras foram registradas em seu sistema como tendo origem em uma outra fazenda, do mesmo grupo, que estava liberada pelos critérios socioambientais. “A partir das informações apresentadas pela Repórter Brasil, ficou claro que o grupo mencionado vinha, de má-fé, se valendo da conivência de funcionários da Friboi [que pertence à JBS] para burlar o sistema e enviar gado produzido em fazendas com irregularidades socioambientais”, informou o frigorífico, que diz ter demitido funcionários envolvidos e que pretende “buscar reparação na Justiça pelos danos sofridos”.

No entanto, a JBS tinha meios para checar essa informação, visto que os nomes das fazendas de origem estão registrados nas Guias de Trânsito Animal das transações...

A JBS ainda informou que decidiu excluir de seu cadastro de fornecedores a empresa que intermediava os negócios, a Agropecuária Rio Preto Eirelli, pertencente à família Pozzebon, bem como seus sócios e todas as pessoas a eles associadas. A defesa de Chaules Volban Pozzebon nega “qualquer tipo de fraude ou crime nas vendas realizadas” para os frigoríficos. “Não existe organização criminosa, mas sim um grupo empresarial regularmente constituído e com atividades lícitas e autorizadas pelos órgãos competentes”...

As compras irregulares da JBS viraram peças de carne das marcas do frigorífico vendidos no Brasil e podem ter sido exportadas para quatro dos cinco continentes do planeta...

A Minerva, outra gigante do setor de carnes no Brasil, também adquiriu 672 animais de uma das fazendas com desmatamento ilegal dos criminosos... a Minerva preferiu não comentar o caso e disse apenas que está “apurando o ocorrido com base nos dados que estão públicos e legalmente disponíveis para uso”. A íntegra das manifestações pode ser lida aqui...

As vendas de gado para os frigoríficos eram intermediadas pela Agropecuária Rio Preto, empresa registrada em nome da mãe do chefe da organização criminosa, Maria Salete Pozzebon, a principal laranja do filho, segundo o Ministério Público Federal – título que o advogado Aury Lopes Jr. também rejeita: “absolutamente fantasioso e inverídico”, informa o representante legal da família, cuja manifestação na íntegra pode ser lida aqui.

...Atualmente, instituições financeiras norte-americanas detém US$ 246 milhões em ações e títulos da JBS, levando os EUA ao posto de segundo maior investidor no frigorífico depois do Brasil. As gestoras de ativos Vanguard, Fidelity Investments e BlackRock detinham os maiores volumes de investimento.

Já bancos e outras instituições financeiras da União Europeia detêm 53 milhões de dólares na JBS. A União Europeia está avançando para aprovar uma nova lei anti-desmatamento que, pela primeira vez, proibiria que produtos ligados à destruição de florestas e violações dos direitos humanos fossem colocados à venda no mercado europeu. A legislação abrange instituições financeiras europeias, cujas carteiras de investimento precisarão ser examinadas para evitar vínculos com projetos e empresas relacionados ao desmatamento.

A JBS disse que era “oportunista e inapropriado” ligar as informações apuradas pela reportagem sobre vendas da Agropecuária Rio Preto Eireli aos investidores internacionais. Todos os investidores citados foram contatados e, para aqueles que responderam, suas considerações podem ser lidas, na íntegra, neste link.