Brasil: Relatório da ONG Repórter Brasil revela que cafés vendidos na Europa são contaminados por violações trabalhistas
“Cafés vendidos em supermercados da Europa estão ‘contaminados’ por violações trabalhistas”, 23 de Junho de 2021
Produtores de café certificados com flagrantes de trabalho escravo fazem parte da cadeia de negócios que abastece gigantes do varejo na Europa. É o que revela a décima edição do Monitor, boletim da Repórter Brasil que analisa problemas sociais e ambientais de cadeias produtivas...
“Café certificado, trabalhador sem direitos 2” é a continuação de uma pesquisa realizada em 2016, que mapeou casos de violações trabalhistas em propriedades certificadas e apontou as falhas e desafios dos sistemas de certificação do setor no país, maior exportador de café e responsável por 34,7% da produção mundial do grão em 2019, segundo levantamento da Organização Internacional do Café.
Nesta segunda edição, a investigação avança sobre o escoamento do produto e apresenta casos concretos de crimes e irregularidades que fazem parte, direta ou indiretamente, da cadeia de negócios de compradores locais, exportadoras, torrefadoras e líderes do varejo mundial, como as multinacionais alemãs Neumann Kaffee Gruppe (NKG) e Melitta, as subsidiárias na Suíça e Alemanha da UCC Coffee, grupo multinacional com sede no Japão, além de redes varejistas como Carrefour, Coop, Jumbo, Lidl, Metro e Tesco, com milhares de lojas espalhadas pelo continente.
…Das cinco fazendas com irregularidades trabalhistas analisadas pela Repórter Brasil na publicação, três tiveram flagrantes de trabalho escravo entre 2018 e 2019. Fazendeiros fornecedores de empresas e cooperativas que fazem parte da cadeia de negócios de grandes redes varejistas globais estão entre os casos mapeados.
…Das propriedades de Maria Julia Pereira, o café alcança multinacionais de compra e venda do grão, torrefadoras e redes varejistas. Dados de 2019 e 2020 acessados pela Repórter Brasil mostram que a Exportadora de Café Guaxupé abasteceu os grupos NKG, Melitta e UCC Coffee.
O café negociado pelos três importadores mencionados acima chega aos clientes finais através de diversos canais de comercialização. Eles incluem alguns dos maiores expoentes do varejo global de alimentos, como as redes britânicas Tesco, Waitrose e Asda, a rede Coop, da Suíça, a holandesa Jumbo, a cadeia francesa de hipermercados E.Leclerc, além das alemãs Aldi, Metro e Lidl.
Consultadas pela Repórter Brasil, as empresas citadas não informaram as fazendas de origem do produto utilizado em seus cafés de marca própria. Em alguns casos, afirmaram que nunca adquiriram, reconhecidamente, café com origem em fazendas flagradas com trabalho escravo.
Entretanto, lacunas de rastreabilidade geram dúvidas sobre a real origem do café. Os casos detalhados no Monitor mostram que as fazendas palco dos problemas, bem como os empregadores envolvidos, estão conectados a uma complexa rede de escoamento do produto...
Monitor nº 10 – “Café certificado, trabalhador sem direitos 2”