Brasil: Novo mar de lama com rompimento de barragens de minérios da Vale mata dezenas e deixa centenas de pessoas desaparecidas, comunidades e meio ambiente destruídos, inclui comentários da Vale

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No dia 25 de janeiro de 2019, mais uma vez ocorreu o rompimento de barragem de rejeitos de minério da Vale. Desta vez a tragédia atingiu a Mina de Feijão, em Brumadinho, também em Minas Gerais, Brasil. O desastre ocorreu pouco mais de três anos após o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, que pertencia à Samarco, joint-venture das mineradoras Vale e BHP - mais sobre o caso aqui, aqui e aqui. As equipes de resgates ainda estão fazendo buscas mas até o presente momento foram encontrados os corpos de 165 pessoas soterradas pelo mar de lama, mas o números continuam crescendo. O rompimento causou mortes, desaparecimentos de 160 pessoas, a comunidade mais próxima à mina foi destruída pela lama, conforme afirmam jornais. Acredita-se que seja um dos piores desastres socioambientais do país depois do desastre do Rio Doce/Mariana/Samarco. Comunidades de atingidos pelo desastre do Rio Doce/Mariana/Samarco se solidarizam com as comunidades atingidas pelo desastre de Brumadinho. São muitas as semelhanças entre os casos. Populações atingidas, organizações de direitos humanos, autoridades lamentam e denunciam que mais um desastre como esse tenha ocorrido sem que nem sequer tenham sido reparadas as vítimas do desastre do Rio Doce/Mariana/Samarco, sem que as empresas envolvidas nos casos tenham sido responsabilizadas tampouco as autoridades públicas, demonstrando que as falhas de segurança e proteção socioambiental persistem, sequer foram concluídos os estudos dos impactos socioambientais tampouco as investigações. Inclui comentários da Vale.

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12 February 2019

Brasil: Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale pede destituição da diretoria da empresa e questiona ações da empresa

Autor: Carlos Amaral, G1 Minas, Globo (Brazil)

"Articulação Internacional pede destituição da diretoria da Vale e questiona ações da empresa-Organização formada por movimentos, sindicatos e acionistas apresentou relatório após sete dias de análises e entrevistas em Brumadinho nesta terça-feira (5)", 5 de fevereiro de 2019

A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, composta por movimentos e acionistas que criticam a atuação da empresa, fez…[em 5 de fevereiro]...evento com jornalistas em Brumadinho (MG), no bairro Córrego do Feijão…[P]ediram a destituição da diretoria da Vale,...fechamento de outras minas da região e questionaram a atuação da empresa... "O fato de eles estarem no controle da Vale tende a produzir um comportamento da empresa, no sentido de evitar a revelação de fatos, documentos e informações que possam redundar na responsabilização das próprias pessoas. Como um sinal de compromisso da empresa com a verdade, seria importante essa troca dessas pessoas", explicou…[Danilo Chammas]..., advogado e membro do grupo. O pronunciamento foi para apresentar as conclusões após sete dias de observações das consequências do rompimento da barragem de rejeitos da Vale.

…[P]ontos questionados...O papel da Vale na divulgação do desastre. O movimento não concorda que a Vale seja divulgadora de informações;..A Vale não divulga o plano de emergência ou laudos de segurança da barragem;...A localização da sirene que não tocou e a posição dos escritórios e refeitório;...Faltam informações sobre as doações de R$ 100 mil ("a forma como está sendo feita é estranha, sem divulgar contrato") e de R$ 15 mil a R$ 50 mil, para quem morava próximo;...O conceito de família pedido também ofende as pessoas, uma vez que há, por exemplo, gente que não tinha união estável formal com vítimas;...As imagens da barragem só foram obtidas por outras vias, não por meio da empresa;...Uma conduta de ocultamento das informações e de falta de transparência;...Outros danos decorrentes do desastre se mostraram ainda mais graves ao longo do tempo: desvalorização dos imóveis, dificuldade de acesso. A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale é um grupo de movimentos, sindicatos, acionistas da Vale insatisfeitos e organizações descentralizado…[,]...atuam no Brasil e no exterior...A missão teve início no dia 29 de Janeiro e visitou lugares atingidos pela tragédia…[C]onversaram com a população,...familiares de vítimas e com órgãos públicos.“Há um interesse público de toda a população Brasileira de que todo o caso venha à tona e que todos os responsáveis sejam punidos", explicou…[Chammas]...Segundo Carolina Moura, moradora de Brumadinho e integrante da Associação Jangada, quando fizeram o apelo pela situação, o governo preferiu ouvir a empresa do que a comunidade...

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12 February 2019

Brasil: Entidades da sociedade civil pedem exclusão da Vale do Pacto Global da ONU após rompimento de sua barragem em Brumadinho

Autor: Asociación Ambiente y Sociedad, Business and Human Rights Resource Centre, Clínica de Direitos Humanos da UFMG, Conectas Direitos Humanos, DAR (Derechos, Ambiente y Recursos Naturales), Defesa dos Territórios Frente à Mineração, DPLF (Due Process of Law Foundation), FARN (Fundación Ambiente y Recursos Naturales), FIDH (International Federation for Human Rights), FUNDEPS (Fundación para el desarrollo de políticas sustentables), Global Justice Clinic of the New York University, Greenpeace Brasil, Justiça Global, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, MiningWatch Canada, PODER (Project on Organizing, Development, Education, and Research), SOMO (Centre for Research on Multinational Corporations)

"Após Brumadinho, entidades pedem exclusão da Vale do Pacto Global da ONU-Maior rede de responsabilidade social corporativa do mundo, o Pacto Global instiga empresas de todo o mundo a adotar práticas de negócios baseadas em princípios de direitos humanos, trabalhistas, ambientais e de combate à corrupção", 12 de fevereiro de 2019
Um grupo internacional de entidades da sociedade civil ingressou...[em 12 de fevereiro]...com um pedido de exclusão da mineradora brasileira Vale do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas), a maior rede de responsabilidade social corporativa do mundo..."O desastre de Brumadinho mostra que a Vale favorece o lucro em detrimento da segurança como padrão de conduta operacional", alegam as entidades em sua denúncia. "Foi necessário o colapso fatal de outra barragem, implicando em sofrimento humano e destruição ambiental imensuráveis para que a Vale anunciasse a decisão de desativar as arriscadas barragens a montante, construídas com tecnologia obsoleta", complementam...[A]...Vale empregou extensos recursos políticos e financeiros para bloquear a responsabilização jurídica pelo primeiro desastre. A empresa adotou um discurso de compromisso com os mais altos padrões de responsabilidade social corporativa, mas não reavaliou seu modelo de negócios, seus processos e políticas para evitar novas catástrofes. "Tal método de fazer negócios está em conflito com os princípios e o espírito do Pacto Global", afirmam as entidades. "A Vale deve arcar com as consequências por não ter conseguido evitar que um desastre tão ultrajante ocorresse apenas três anos após o rompimento da barragem de Mariana."...[As]...entidades pedem a retirada da Vale do Pacto Global e que a mineradora submeta relatórios frequentes sobre as medidas adotadas para remediar os danos ambientais tanto das barragens de Brumadinho, quanto de Mariana, que colapsou em 2015. Pedem ainda que a diretoria do Pacto exija da Vale...demonstração, por meio de ações coordenadas, de seu compromisso com a mudança de cultura, políticas e processos corporativos para se tornar uma empresa que respeita verdadeiramente os direitos humanos e o meio ambiente.
Assinam a denúncia Asociación Ambiente y Sociedad, Business and Human Rights Resource Centre, Clínica de Direitos Humanos da UFMG, Conectas Direitos Humanos, DAR (Derechos, Ambiente y Recursos Naturales), Defesa dos Territórios Frente à Mineração, DPLF (Due Process of Law Foundation), FARN (Fundación Ambiente y Recursos Naturales), FIDH (International Federation for Human Rights), FUNDEPS (Fundación para el desarrollo de políticas sustentables), Global Justice Clinic of the New York University, Greenpeace Brasil, Justiça Global, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, MiningWatch Canada, PODER (Project on Organizing, Development, Education, and Research), SOMO (Centre for Research on Multinational Corporations)...

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Autor: International Council on Mining & Metals (UK)

"Statement on Brumadinho dam failure", 01 Feb 2019

The Brumadinho dam failure in Brazil is a human and environmental tragedy. Our thoughts are with those who have lost loved ones, or have family members, friends or colleagues who are still missing. We deeply regret what has happened and must understand the cause of such a catastrophic failure in order to learn from it, and to respond to it appropriately and effectively. 

ICMM will support our members in taking decisive and appropriate action to enhance the safety of their tailings facilities across the globe. The Council is considering a range of actions to achieve this objective. 

ICMM’s CEO, Tom Butler, said: “We are deeply saddened by this tragic event. I will be working with the members to learn every lesson we can from this catastrophe and to drive change and sharing of best practice across the membership, and industry. We must improve in order to regain public confidence in the way we manage these facilities.”

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30 January 2019

Brasil: Acionistas pedem à Comissão de Valores Imobiliários que investigue suposta omissão de informações acerca de riscos socioambientais de empreendimentos da Vale

Autor: Marta Nogueira, Reuters (Brazil)

“Acionistas críticos à Vale pedem que CVM apure responsabilidade da empresa por desastres”, 30 de janeiro de 2019

...[U]m grupo de acionistas minoritários críticos à gestão da mineradora Vale pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a abertura de inquérito administrativo para investigar se a mineradora “tem omitido informações acerca dos riscos socioambientais de seus empreendimentos no Pará, Maranhão e Minas Gerais”...[O]...grupo de acionistas afirma que a prática poderia configurar manipulação artificial dos preços das ações da mineradora...[O]...grupo...faz parte do Movimento Atingidos pela Vale, que lidera ações em comunidades impactadas de alguma forma por empreendimentos da empresa em diversos Estados do país e no exterior...[O]s acionistas afirmam que “a empresa, em várias oportunidades, foi alertada pela sociedade civil de que o rigor no processo de ampliação e continuidade da mina do Córrego do Feijão estava aquém do necessário, considerando-se o tamanho e potencial poluidor do empreendimento”. Procurada, a Vale não comentou de imediato...[A]...Reuters publicou que uma apresentação corporativa da Vale já demonstrava em 2009 preocupações sobre suas barragens de rejeitos, mas a empresa não implementou várias medidas avaliadas que poderiam ter evitado ou diminuído os danos do desastre fatal da semana passada...A denúncia do grupo de acionistas aborda ainda o rompimento de outra barragem envolvendo a Vale, há pouco mais de três anos, e amplia pedidos de investigação pela CVM. Em novembro de 2015, uma barragem operada pela mineradora Samarco (joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP), também se rompeu em Mariana (MG), deixando 19 mortos, centenas de desabrigados e poluindo o importante rio Doce, no maior desastre ambiental do Brasil. Além desses casos, o grupo levanta pesadas críticas a empreendimentos da empresa no Pará e Maranhão, como Onça Puma, Salobo e S11D, que segundo eles envolveriam questões não devidamente comunicadas aos acionistas.

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30 January 2019

Brasil: Após rompimento de barragem, especialistas em direitos humanos das Nações Unidas demandam investigação adequada, medidas preventivas e cooperação da Vale

Autor: Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos

“Brasil: relatores da ONU pedem investigação sobre colapso letal de barragem”, 30 de janeiro de 2019

GENEBRA (30 de janeiro de 2019) - Relatores especiais de direitos humanos da ONU* pediram uma investigação imediata, completa e imparcial do colapso da barragem de rejeitos, ocorrida no dia 25 de janeiro de 2019, em Minas Gerais, o segundo desses incidentes envolvendo a mesma empresa no período de três anos...[“A]...tragédia exige responsabilização e põe em questão medidas preventivas adotadas após o desastre da Samarco em Minas Gerais há apenas três anos...[I]ncitamos o governo a agir decisivamente em seu compromisso de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar mais tragédias desse tipo e levar à justiça os responsáveis pelo desastre”, disseram os relatores...[“C]onclamamos o governo brasileiro a priorizar as avaliações de segurança das barragens existentes e a retificar os processos atuais de licenciamento e inspeção de segurança para evitar a recorrência desse trágico incidente. Além disso, conclamamos o governo a não autorizar nenhuma nova barragem de rejeitos nem permitir qualquer atividade que possa afetar a integridade das barragens existentes, até que a segurança esteja garantida”. O Relator Especial das Nações Unidas sobre Toxicidades, Baskut Tuncak, fez um apelo específico para uma investigação transparente, imparcial, rápida e competente sobre a toxicidade dos resíduos, com total acessibilidade da informação para o público em geral...[O]s especialistas também conclamaram a mineradora Vale a atuar de acordo com sua responsabilidade para identificar, prevenir e mitigar impactos adversos nos direitos humanos; a cooperar plenamente com as autoridades que investigam o desastre; e prover, ou cooperar, na remediação de danos causados através de processos legítimos...

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30 January 2019

Brasil: Vale diz que acabará com barragens e paralisa operações em 10 minas

Autor: Alex Tajra, UOL (Brazil)

"Vale diz que acabará com barragens e paralisa operações em 10 minas", 29 de janeiro de 2019

…[A]...Vale anunciou…[em 29 de janeiro]...por meio de seu diretor-presidente, Fabio Schvartsman, que interromperá as atividades de mineração em locais próximos a barragens de rejeitos como as de Mariana e Brumadinho…[A]firmou também que acabará com 19 estruturas como essas - as chamadas "barragens a montante", em um processo que deverá se estender entre três e cinco anos, a depender da localidade. "A resposta da Vale [em relação a Brumadinho] foi de olhar em seu próprio portfólio de barragens. Verificamos que temos 19 barragens que utilizam o método a montante. Dessas, 9 já estão sendo descomissionadas. As outras 10 estavam em projeto de descomissionamento também, mas agora decidimos que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem.", disse Schvartsman...Enquanto as barragens são extintas...as operações de mineração estarão interrompidas…[E]xplicou que, ainda que as barragens não recebam mais rejeitos, atividades de mineração nas proximidades podem causar interferências nas estruturas...A decisão implicará na interrupção de dez barragens da Vale, todas em Minas Gerais…[A]firmou que as barragens úmidas, como a de Brumadinho, já não são utilizadas pela empresa.  "Esse é o único jeito de fazer esse descomissionamento. Se não for assim, aí temos um risco sério de desmoronamento", afirmou..."Com isso elas vão deixar de existir e serão integradas ao meio ambiente. Vamos devolver à natureza, elas deixarão de ter qualquer característica de barragem", afirmou…[E]m até 45 dias a mineradora vai apresentar planos para o licenciamento ambiental. A partir disso, as barragens serão desativadas em um período de 1 a 3 anos...Schvartsman disse que a interrupção das atividades afetará a atividade econômica e o emprego nas regiões em que estão...Em relação aos rejeitos de minério que serão "devolvidos", Fabio Schvartsman afirmou que as estruturas serão transformadas em "tijolos, ou alguma outra coisa" ou "podem ser cobertas." A Vale deve investir pelo menos R$ 5 bilhões nesse processo de desativação das barragens, e o plano será realizado por uma empresa terceirizada...'É fundamental ressaltar que temos laudos e auditorias que comprovam a segurança dessas barragens. Nossas estruturas estão em perfeito estado. Resolvemos não aceitar esses laudos e agir de outra maneira", afirmou o presidente da Vale...

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29 January 2019

O rompimento da barragem de Brumadinho: um aprendizado sobre devida diligência corporativa e reparação por danos

Autor: Amanda Romero (América do Sul), Júlia Mello Neiva (Brasil) e Melissa Ortiz (México, América Central e Caribe), equipe latino-americana do Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos

O rompimento da barragem de Brumadinho:

um aprendizado sobre devida diligência corporativa e reparação por danos

Amanda Romero (América do Sul), Júlia Mello Neiva (Brasil) e Melissa Ortiz (México, América Central e Caribe), equipe latino-americana do Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos

Em 25 de janeiro, uma barragem de propriedade da Vale, em Brumadinho, Minas Gerais, Brasil, entrou em colapso, gerando uma avalanche de lama e resíduos de mineração no meio ambiente e nas comunidades vizinhas. Até o momento, 65 pessoas foram encontradas mortas e centenas de pessoas seguem desaparecidas.

Este último desastre acontece três anos após o colapso da barragem da Samarco - no mesmo estado, era também propriedade da Vale, mas em joint-venture com a BHP Billiton - que matou 19 pessoas e deixou centenas de pessoas desabrigadas. Em novembro de 2018, atingidos/as e ativistas do Brasil viajaram a Londres para se encontrar com a BHP Billiton e exigir reparação integral e reassentamento para as comunidades atingidas.

A equipe latino-americana do Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos disse:

"O que aconteceu em Brumadinho mostra a devastação causada quando as mineradoras agem de forma errada.

A ênfase imediata tem que ser na resposta humanitária, mas há questões sérias que exigem respostas sobre como algo assim pôde acontecer novamente e tão rapidamente. Principalmente considerando que há iniciativas de diferentes setores no Brasil e em outros países para que isso mude.

O governo deve fazer cumprir a lei, acompanhar as vítimas para que a Vale ouça os trabalhadores e comunidades atingidos e garanta que receberão reparação, indenização, restituição de direitos, garantias de não repetição e reassentamento adequado.

Há aprendizados com o rompimento da barragem da Samarco. Como disseram as vítimas na semana passada: "a tragédia não se encerra quando a lama pára de correr". Por experiência própria, sentem que foram "esquecidos" e, quando procuraram reparação nos tribunais, a resposta foi aquém do necessário. No mês passado, disseram-lhes que, contrariamente aos acordos anteriores, os pagamentos feitos como auxílio financeiro emergencial serão deduzidos da indenização total devida às comunidades. A Defensoria Pública afirma que essa decisão se deve às demandas judiciais apresentadas pela Vale e pela BHP Billiton.

Essa tragédia ressalta a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa sob as empresas, que avaliem os riscos e os impactos sobre os direitos humanos em suas operações e cadeias de valor. A devida diligência obrigatória, que insiste em que as empresas devem identificar, prevenir e reparar situações que violem os direitos humanos, já é uma lei na França e está sendo discutida em outros países. Isso permite que as vítimas possam denunciar criminalmente empresas negligentes e quando ocorrer uma tragédia. Associadas ao fortalecimento dos órgãos estatais de monitoramento, tais ações contribuiriam muito para a prevenção de desastres e violações de direitos humanos que destroem vidas e comunidades.”

O Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos se solidariza com as vítimas e continuará monitorando os desdobramentos do caso. Além disso, convidará a Vale para comentar sobre o caso. 

Leia aqui o comunicado conjunto dos atingidos e atingidas da barragem do Fundão sobre o desastre de Brumadinho.

Contato:

Júlia Mello Neiva, Pesquisadora Sênior para Brasil

[email protected]

+55 11 97066-9551

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28 January 2019

Brasil: Advogado da Vale isenta empresa de responsabilidade sobre rompimento da barragem em Brumadinho

Autor: Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo (Brazil)

Defensor da empresa, Sergio Bermudes rechaça sugestão de renúncia feita por Renan Calheiros e diz que ele quer ‘capitalizar em cima da tragédia’” , 28 de janeiro de 2019

...[U]m dos principais advogados da companhia...[Vale]...[,]...Sergio Bermudes...[,]...reagiu à sugestão do senador Renan Calheiros (PMDBAL), que defendeu no domingo (27) o “afastamento cautelar”e “urgente” de toda a diretoria da empresa...[:]...[“A]...Vale não enxerga razões determinantes de sua responsabilidade. Não houve negligência, imprudência, imperícia”, afirma o defensor...[B]ermudes afirma ainda que o que está caracterizado, até agora, é “um caso fortuito cujas causas ainda não foram identificadas”...[P]ara ele, “não cabe renúncia pois não se identificou dolo e muito menos culpa”dos executivos da Vale. O advogado critica o senador alagoano...[E]le afirma também que a declaração da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, de que “certamente há um culpado” pelo acidente e que os executivos da empresa podem ser responsabilizados é precipitada...[A]...empresa enviou uma nota:“A Vale esclarece que não autorizou nem autoriza terceiros, inclusive advogados contratados, a falar em seu nome. A Vale volta a ressaltar, de forma enfática, que permanecerá contribuindo com todas as investigações para a apuração dos fatos e que esse é o foco de sua diretoria, juntamente com o apoio às famílias atingidas”...

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28 January 2019

Brasil: Ministério Público Federal e Defensoria Pública divulgam nota sobre desastre em Brumadinho

Autor: Ministério Público Federal; Ministério Público do Estado de Minas Gerais; Ministério Público do Estado do Espírito Santo; Defensoria Pública da União; Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (Brazil)

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Diante do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale S. A., em Brumadinho, Minas Gerais, ocorrido na última sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, a DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO e a DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO...vêm a público esclarecer os seguintes pontos.   De início, as instituições de Justiça se solidarizam com as vítimas e informam que já estão tomando todas as medidas jurídicas cabíveis para resguardar o direito dos atingidos e atingidas, bem como promover a tutela adequada do meio ambiente.  Neste momento, a união de esforços deve privilegiar o atendimento imediato às vítimas e às suas famílias. Da mesma forma, reafirma-se o compromisso com a busca pela responsabilização administrativa, cível e penal de todos os envolvidos...[T]oda a experiência adquirida por parte dos atores da tragédia de Mariana deve ser utilizada em prol das vítimas de Brumadinho...[A]...responsabilidade sobre as consequências do rompimento da barragem em Brumadinho é exclusiva da Vale...[A]...[Fundação]...Renova não deve atuar no âmbito desse novo desastre ambiental...[D]evem a empresa Vale e o Poder Público empreender todos os esforços para garantir o atendimento adequado para tal intento, bem como para a reparação integral de todos os danos causados ao meio ambiente...

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28 January 2019

Brasil: Relator da ONU condena postura de gov. federal e mineradoras & reitera que desastre de Brumadinho deve ser ‘investigado como um crime’

Autor: Marina Wentzel, BBC Brasil (Brazil)

“O rompimento da barragem de Brumadinho deve ser investigado como "um crime", afirmou à BBC News Brasil o relator especial das Nações Unidas para Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak”, 28 de janeiro de 2019

"Esse desastre exige que seja assumida responsabilidade pelo o que deveria ser investigado como um crime. O Brasil deveria ter implementado medidas para prevenir colapsos de barragens mortais e catastróficas após o desastre da Samarco de 2015", disse Tuncak, em referência à tragédia de Mariana. Segundo o relator da ONU, as autoridades brasileiras deveriam ter aumentado o controle ambiental, mas foram "completamente pelo contrário", ignorando alertas da ONU e desrespeitaram os direitos humanos dos trabalhadores e moradores da comunidade local. "Os esforços contínuos no Brasil para enfraquecer as proteções para comunidades e trabalhadores que lidam com substâncias e resíduos perigosos mostram um desrespeito insensível pelos direitos das comunidades e dos trabalhadores na linha de frente”...["N]em o governo nem a Vale parecem ter aprendido com seus erros e tomado as medidas preventivas necessárias após o desastre da Samarco"...[D]e acordo com as Nações Unidas, em julho de 2018, cinco Relatores Especiais da ONU e um Grupo de Trabalho do Conselho de Direitos Humanos expressaram ao governo brasileiros preocupação com a situação ambiental da mineração no país...[A]...ONU informou que o governo brasileiro ignorou solicitações de visita feitas pelos relatores especiais...[A]...tentativa derradeira foi enviada cerca de seis semanas antes da tragédia...[O]...relator também expressou preocupação com a situação enfrentada por defensores do meio ambiente, trabalhadores e comunidades que tentam defender seus direitos frente à indústria da mineração...[T]uncak...[:]...["É]...questionável porque onde a instalação para os trabalhadores foi construída estava abaixo da barragem de rejeitos, considerando a clara existência de tal risco (de rompimento)”...[A]...indústria da mineração parece insensível aos apelos por maior sustentabilidade...

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