Brasil: Seis anos após a tragédia, acordo de Brumadinho é marcado por lentidão e desvio de recursos, segundo artigo
"Brumadinho 6 anos depois: lentidão da reparação e desvio de recursos dos atingidos", 17 de janeiro de 2025
O acordo judicial firmado entre a Vale e o governo de Minas Gerais no contexto da reparação dos danos coletivos pelo rompimento da barragem em Brumadinho representou, segundo o texto, “uma das maiores violações da democracia brasileira”. Passados seis anos do crime e quatro anos do firmamento do acordo bilionário que deveria garantir a reparação dos atingidos, o artigo afirma que se assiste à ineficácia do modelo de reparação construído pela própria empresa ré e pelo governo Zema.
Nos meses seguintes ao rompimento, familiares de vítimas e comunidades atingidas se auto-organizaram em busca de justiça e reparação integral. Esse processo foi incentivado pelas próprias instituições da Justiça, mas, de acordo com o texto, foi interrompido quando os atingidos souberam pela imprensa que o governo estadual negociava os termos da reparação diretamente com a Vale e sem a participação das vítimas. O governo também teria desrespeitado o Legislativo e prefeituras, conduzindo o processo em sigilo e sem transparência.
O artigo afirma ainda que o Executivo mineiro se aproveitou da tragédia para desviar recursos destinados à reparação, repassando verbas a todas as prefeituras pouco antes das eleições de 2022 e incorporando o projeto do Rodoanel ao plano de reparação — medida que, segundo a autora, beneficia mineradoras e causará novos impactos. Para a Vale, o acordo significou segurança jurídica e aumento de lucros: no dia seguinte à assinatura, as ações da empresa subiram 4,3% na Bovespa. Já os atingidos, com o Programa de Transferência de Renda previsto para terminar antes da recuperação dos territórios, seguem sem reparação integral...