Brasil: Comunidade quilombola denuncia impactos prolongados de complexo eólico da Enel instalado sem consulta prévia
“Quilombo centenário no Piauí é ‘esquecido’ pela maior usina eólica da América do Sul”, 16 de junho de 2026
...As turbinas são da empresa Enel Green Power e fazem parte do Complexo Eólico Lagoa dos Ventos, instalado entre os municípios de Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova e Dom Inocêncio.
Faz oito anos que a empresa iniciou a construção dos aerogeradores...O que veio depois foi a implantação da maior usina eólica da América do Sul, que opera dentro de uma comunidade quilombola centenária jamais consultada por empresas e órgãos públicos — e que coloca em xeque o conceito de “transição energética justa”.
...o principal projeto eólico da Enel no mundo...
A Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho)...determina que comunidades tradicionais sejam devidamente comunicadas e ouvidas a respeito de atividades econômicas em seus territórios. A consulta deve ocorrer antes da instalação do empreendimento, o que não aconteceu com o quilombo Lagoa...
A Casa dos Ventos foi a empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto, encarregada do mapeamento da área, contato com moradores e licenciamento ambiental. Posteriormente, a Enel assumiu a operação e implementou os aerogeradores...
Procurada pela Repórter Brasil, a Enel afirmou que não tinha conhecimento do quilombo Lagoa quando instalou o empreendimento, pois, segundo diz, os documentos repassados por Incra e Casa dos Ventos não citavam a comunidade.
A Enel declarou também que não havia responsabilidade da empresa de consultar a comunidade na época da implementação, pois ela não era formalizada perante o Estado. Disse ainda que, em todos os processos de licenciamento ambiental, foram realizadas consultas aos órgãos públicos para verificação da existência de Comunidades Remanescentes de Quilombo, e que “houve reuniões técnicas e validação junto a seis comunidades” afetadas pelo empreendimento.
O Incra, contudo, afirmou à Repórter Brasil que apenas cinco terras quilombolas foram consultadas (Tapuio, Sumidouro, Pitombeira, Volta do Riacho, Baixa da Onça) e que Lagoa não foi incluído nas análises por falta da certificação na época junto à Fundação Cultural Palmares.
Já a Casa dos Ventos declarou ter conversado com a comunidade antes da execução da obra. Os moradores, porém, ressaltam que apenas duas famílias foram contactadas, somente para tratar do arrendamento dos terrenos — que serão incorporados ao território quilombola ao fim do processo de titulação. A informação é confirmada pelo relatório de identificação do território (RIDT), elaborado pela antropóloga Cinthya Kós e pelo engenheiro agrônomo José Antônio Brito.
O Interpi, por sua vez, não respondeu se comunicou a Enel Green Power a respeito do processo de titulação do quilombo Lagoa.
... (leia os posicionamentos na íntegra)...