Brasil: Mulheres indígenas ocupam sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, FUNAI, em protesto contra mineração na Volta Grande do Xingu
Movimento de Mulheres Indígenas do Médio-Xingu
“Indígenas acampam em prédio da Funai contra mineração na Volta Grande do Xingu”, 6 de março de 2026
Um grupo de mais de cem indígenas acampa, em protesto, desde o dia 23 de fevereiro, no prédio da coordenação regional da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) em Altamira, no Pará. Eles exigem o fim da licença de instalação de projeto de mineração de ouro na região da Volta Grande do Xingu.
O ato, encabeçado pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, critica ainda a atuação da Funai no processo de licenciamento. A empresa canadense Belo Sun pretende explorar cinco toneladas de ouro por ano, por pelo menos 12 anos, numa das regiões consideradas mais ambientalmente sensíveis da amazônia brasileira...
A Funai disse, em nota, que está em diálogo com os povos indígenas sobre as reivindicações e intermedeia o contato entre a Belo Sun e os indígenas afetados pelos empreendimentos, incluindo povos de recente contato.
Também procurada, a Belo Sun não comentou o protesto. À Justiça, a empresa tem defendido que respeita as normas para a atividade minerária.
Em 2020, a Funai deu anuência para emissão da licença prévia do empreendimento. Entretanto, depois, voltou atrás na decisão apontando a possibilidade de violação de direitos de povos indígenas não aldeados...
Em 2023, um relatório da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) sobre o projeto Volta Grande demonstrou preocupação com a segurança alimentar das comunidades indígenas e ribeirinhas. "[Elas ] dependem diretamente da floresta e do rio para cultivar alimentos, pescar, realizar extrativismo florestal e conseguir manter suas culturas, organizações sociais e modos de vida tradicionais", diz o documento.